InícioNotíciasAutonomia: os dois lados

Autonomia: os dois lados

Estados Unidos e União Soviética

Imagine se os habitantes da Terra Indígena Ianomami resolvessem fazer um plebiscito para decidir se continuam ou não fazendo parte do território brasileiro. Certamente seria uma gritaria geral. Seriam acusados os imperialistas, a Igreja Católica, as Ongs mantidas com capital internacional, os grupos interessados na exploração do garimpo, o Capitão América e outros vilões menos cotados. Certamente alguém de Brasília diria que é inconstitucional. A Catalunha quer se separar da Espanha e sua população quer resolver em um plebiscito se continuam ou não fazendo parte do pais. O governo de Madrid já disse que isso é inconstitucional, ou seja, nem admitem a hipótese de se consultar o povo. Não, ponto final. Se preciso podem recorrer às armas?

Os moradores das ilhas Malvinas, ou Falklands conseguiram fazer um plebiscito. A Argentina e a Inglaterra reivindicam a região. Os ilhoas votaram e por 98 por cento a favor, decidiram que querem ficar britânicos. Os portenhos não aceitaram o resultado e anunciaram que vão continuar lutando para obter a posse das Malvinas, ou Falklands. Ou seja, o povo que se lixe, não pode ter vontade própria nem alegar questões culturais, linguísticas ou históricas. O que vale é o nacionalismo, uma doença que se propagou no Século XIX e ainda assola a humanidade. É um vírus ideológico. Então o que vale para a Criméia? Sem ignorar a importância estratégica para o gigante russo, é uma região que já foi fatiada sem anuência da população. O que fazer se a maioria decidir que quer ser um estado associado a Federação Russa? Não tem o direito de escolha? Vai voltar a Guerra Fria??

Estas questões reais ou imaginárias remetem ao velho princípio da auto determinação dos povos, um conceito muito popular na época da Guerra Fria, mas que não perdeu a sua atualidade. A autodeterminação dos povos é o princípio que garante a todo povo de um país o direito de se autogovernar, tomar suas escolhas sem intervenção externa, ou seja, o direito à soberania de um certo povo de determinar seu próprio status político. Em outras palavras, seria o direito que o povo de determinado país tem de escolher como será legitimado o direito interno sem influência de qualquer outro país. Contudo esse princípio só vale quando é no território do vizinho ou no quintal do inimigo? Ele está consagrado na Carta das Nações Unidas, contudo tem sido atropelado constantemente pela real politik.

Por Heródoto Barbeiro

Perfil de Heródoto Barbeiro

Heródoto Barbeiro

Heródoto Barbeiro é jornalista, âncora do Jornal da Record News e do R7, diariamente as 21h. Ex-apresentador do Roda Vida da TV Cultura e do Jornal da CBN. Autor de vários livros na área de treinamento, história, jornalismo e budismo.

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