“O jornal de papel não vai acabar nunca”, afirma Xico Sá

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Na manhã do último sábado, 17 de agosto, o escritor e jornalista Xico Sá, que também é colunista e blogueiro da Folha de S.Paulo, participou de um Bate-papo no auditório da biblioteca de São Paulo, localizado no Parque da Juventude, zona norte da capital.

Diante de um auditório repleto Xico tratou de diversos temas, todos eles voltados à sua carreira no jornalismo e na literatura como cronista. “A minha trajetória é uma trajetória de jornalista. Eu queria que fosse o contrário. Queria ser escritor, e por acaso, se desse, eu podia ser eventualmente jornalista”. Logo no início de sua carreira ele tentou escrever crônicas em suas colunas no jornal “talvez por um trauma de não ter conseguido ser o escritor que eu queria”.

“Acho que a minha crônica esportiva é uma diluição de Nelson Rodrigues e do Paulo Mendes Campos, quando trata um pouco sobre futebol, tem um diluição daquela velha crônica dos anos 50 do Rio de Janeiro”, afirmou.

Xico Sá começou sua carreira escrevendo para um jornal como cronista e depois se tornou repórter policial e esportivo, sem abandonar a crônica. “O jornal dessa época, principalmente o das províncias, tinha muito mais abertura para uma cobertura futebolística mais como cronista do que como repórter objetivo, que dissesse a tática do jogo.”

Durante a época em que trabalhou como jornalista policial investigou grandes casos políticos como o do PC Farias. “As pessoas tem uma imagem do jornalismo investigativo, que é uma imagem que vem do cinema americano. Aquele cara com sobretudo, de chapéu, luva, etc, mas normalmente não é nada disso, às vezes as coisas acontecem ao acaso, e eu fui muito beneficiado pelo acaso como jornalista investigativo.”

“Nesse período em que eu fiz jornalismo político, eu vivi a maior angústia da minha vida pois esse tipo de jornalismo vai te levando de um jeito e te emburrecendo. O jornalismo te consome, te leva para um canto que se você não se descuidar, você não consegue mais nem ler direito. Porque você tá dedicado totalmente para aquilo”, lamentou.

Perguntado se os jornalistas esportivos deviam ou não revelar o time para o qual torciam, ele disse ser favorável a que se revele. “Acho que a história fica mais bacana, é melhor do que deixar o leitor tentando adivinhar e achando que o cara é parcial ou imparcial. Para o cronista, colunista, articulista de futebol é legal revelar, fica muito mais interessante. Acho que o leitor é mais repeitado quando se revela.”

Tratando sobre o fim do jornal impresso, Xico Sá disse que acredita que ele irá resistir, mas com tiragem menor. “Eu digo às vezes que jornal de papel é como barata, não vai acabar nunca, vai resistir a guerra nuclear, mas irá ficar muito pequeno. A tendência é a de que todos fiquem com uma tiragem reduzida, mas acho que não acaba. Vão ter que escolher outro caminho. Eu defendo que seja o caminho do jornalismo literário que acho que cabe hoje mais do que nunca”, concluiu.

Por Emílio Portugal Coutinho.

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