Quem já sonhou em ser um locutor de futebol?

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O repórter esportivo Eduardo Affonso, que trabalhou durante 15 anos na Rádio Bandeirantes AM, conta um pouco sobre suas escolhas, sua carreira e sobre o jornalismo em geral.

– De onde surgiu o interesse para cursar uma faculdade de jornalismo? E onde você se formou?
Eduardo Affonso – Na verdade o interesse sempre foi por rádio esportivo. A faculdade foi uma consequência deste interesse. E eu fiz rádio e TV na Faculdade Anhembi Morumbi. Quando garoto, ouvia muito rádio com meu pai, e achava o máximo o trabalho dos repórteres. E coloquei na cabeça, mesmo muito jovem, talvez 8, 10 anos, que queria isso para minha vida. Ai uma série de circunstâncias acabaram me levando ao que faço.

– Qual é a melhor lembrança que você tem da faculdade?
Eduardo Affonso – (risos) Beber cerveja e jogar truco nos botecos….e os trabalhos de grupos que incluíam ir aos treinos dos clubes e até a alguns jogos de futebol.

– E no mercado de trabalho, qual foi o seu primeiro emprego? E como conseguiu?
Eduardo Affonso – Meu primeiro emprego, fora ter trabalhado com meu pai no comércio dele, foi na Brasil 2000 FM. Na verdade eu troquei a faculdade pelo trabalho que fazia como atendente de telefone e uma espécie de discotecário na época. A Brasil 2000 FM pertence a Anhembi Morumbi e acabou sendo bom para todos. Tive a ajuda do meu amigo-irmão, Rubinho Vianna. Fizemos colegial juntos e o tio dele era dono da Anhembi Morumbi e consequentemente da Radio Brasil 2000 FM.

– Ser jornalista, gostar e trabalhar com esporte e rádio… Você poderia dizer que une o “útil ao agradável”?
Eduardo Affonso – Não há dúvida. Nada pode ser mais prazeroso do que você trabalhar em algo que ama fazer. E eu sempre consegui que isso acontecesse . Espero poder me manter assim por muito mais tempo.

– E de onde surgiu essa paixão por rádio?
Eduardo Affonso – Como escrevi anteriormente, pelo fato de ser ouvinte de rádio, de jogos no rádio, desde muito moleque. Minhas lembranças, poucas é verdade, me levam aos 7, 8 anos, ouvindo transmissões esportivas. Tanto que, em determinado momento da minha infância, o castigo que meus pais me davam quando eu aprontava era ficar sem o radinho de pilha e não poder ouvir programas e transmissões .

– Qual foi o jogo mais importante que você cobriu até agora?
Eduardo Affonso – Muito complicado escolher um, para quem há 24 anos faz uma média de 110 jogos por ano. Pela importância, talvez a final da Copa do Mundo de 2010, Holanda x Espanha. Mas tem tantas finais, tanto jogos espetaculares, alguns que terminaram em tragédia…e alguns no interior no começo de carreira. Mas para não te deixar sem resposta, vou escolher o primeiro que participei numa transmissão total. Capivariano x Ituano, em 1989. Não sei o mês , nem a data. Campeonato Paulista da então Segunda Divisão, no estádio antigo de Capivari que não lembro o nome e que terminou 1 a 0 para o Capivariano. Eu trabalhava na Radio FM 90 de Itu/Salto e foi minha primeira transmissão na íntegra.

– Antes de fazer alguma cobertura, como você se prepara? Quero dizer, na sala de aula e na teoria ser repórter é uma coisa. Mas como é ser repórter esportivo na prática?
Eduardo Affonso – Atualmente, antes de um treino, por exemplo, não existe uma preparação. Eu formei uma boa rede de contatos e fontes, principalmente no São Paulo, clube que cubro há mais de 15 anos, que minha única preocupação é estar sempre em contato com eles.

Já para fazer um jogo, eu normalmente dedico duas horas de pesquisa sobre os times. Procuro ter tudo anotado em tópicos num caderno que levo aos estádios. por que acho que a pior coisa é um repórter não saber responder uma pergunta feita por algum outro membro da equipe ou por um ouvinte. Tenho comigo que o repórter tem que estar 100% ou quase isso informado sobre todo o evento.

– Na sua opinião quais são as características que definem um jornalista?
Eduardo Affonso – Honestidade, imparcialidade, integridade e trabalho.

– Mas para ser um jornalista, você acredita que precisa ou não de um diploma?
Eduardo Affonso – Para ser jornalista, que trabalha com a informação, a apuração de fatos , não tenho dúvida que sim. Para ser um comunicador, acho que não… Acho que é dom… mas acho que todo comunicador que nasceu com esse dom deveria fazer faculdade.

– Com os avanços tecnológicos, a exigência cada vez maior no profissional ser multitarefas, você acredita que o “fazer e ser jornalista”, tenha mudado de alguma forma?
Eduardo Affonso – Eu acho que nesta questão não é só o avanço tecnológico que mudou. Nestes 24 anos que trabalho, lógico que a tecnologia me propiciou ter um ganho enorme quanto a rapidez, edição e até apuração da informação. Mas acho que o termo ” multitarefas” está mais ligado ao enxugamento das redações. O corte de gastos. Vou dar um exemplo. Hoje um produtor de rádio, além de produzir, precisa ser capaz de numa emergência, gravar ou entrar ao vivo num boletim. Ou um repórter não pode mais ficar dependendo de um produtor para criar a matéria… Ele se auto produz e lógico, com os programas de internet, ele se auto edita, se auto grava. Sendo assim, não fica mais dependente do técnico de som.

– Em 2011, você ganhou o Prêmio Ford-Aceesp, na categoria Melhor Repórter de Rádio. Como foi ganhar esse prêmio?
Eduardo Affonso – Na verdade ganhei o de 2011 e 2012… E espero ter a chance de disputar o deste ano. De defender meu título. Na verdade , o que mais me deixou contente é que justamente nestes dois anos, o prêmio foi por apuração popular e não na própria categoria. Já agora em 2013, a votação volta a ser somente dos próprios cronistas. Eu faço rádio e jornalismo para o meu ouvinte e não para os meus colegas de trabalho jornalistas. Então acho que quando você vence um prêmio escolhido pelos ouvintes é bem melhor.

– Tem alguma coisa dentro do jornalismo que você gostaria de fazer e ainda não conseguiu?
Eduardo Affonso – Sim, por gostar muito e acompanhar também desde muito criança, eu gostaria de fazer um Mundial de Fórmula 1. Cobrir uma temporada toda. Mas creio que não conseguirei. Primeiro porque talvez não esteja a altura como repórter para fazer um trabalho tão especializado. E segundo, porque este tipo de cobertura em rádio, pelos grandes custos, quase não existe mais.

Qual é o conselho que você deixa para os focas e futuros jornalistas, ?
Eduardo Affonso – Dar conselho é muito complicado. Quer ser jornalista, principalmente esportivo, estude, leia, procure a história, se especialize, não importa o esporte que vai cobrir. quando estiver exercendo, seja imparcial, honesto, integro, trabalhador e esqueça, se trabalhar em futebol, vida social, casamento estável, feriados, datas festivas, horário regulado e tudo que um trabalhador normal tem, você não terá. Até porque você vai viver para a notícia… o resto é apenas um complemento. E prepare-se para ter mais fama do que dinheiro no bolso.

Bate e rebate

Um música: Everlasting Love- U’2/ Take on me – A-Ha / Why Can”t This Be Love -Van Halem e Wind of Change – Scoorpions. Gosto das quatro não tem como apontar apenas uma.

Um livro: Desconhecido, mas adorei – Futebol e Guerra – Andy Dougan

Uma citação: Desencana que a vida engana. – Catalau, ex vocalista do Golpe de Estado

Uma paixão: Cachorros

Um sonho: Conhecer o Canadá

Um time: O único, sempre e por toda eternidade. E nas próximas vidas: Portuguesa

O jornalista em uma palavra: Imparcial

Radiojornalismo é: Ter prazer em viver

Eduardo por Eduardo: Pirado, hoje na medida certa. Mas que extrapolou muito na vida e ganhou um bônus enorme de Deus para continuar por aqui.

Por Regine Luise.

Perfil de Regine Luise

Regine Luise

Ama, doa, sonha, dramatiza, sorri, chora e escreve. Não necessariamente nessa ordem. Jornalista por profissão, poeta de coração. Prazer, Regine Luise.

Contato: [email protected]

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