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A cobertura jornalística do narcotráfico no RJ

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Direto do Front

No livro “Direto do Front”, o jornalista e professor da PUC Carlos Nobre trata sobre a cobertura jornalística de ações policiais em favelas do Rio de Janeiro, apresentando um panorama sociológico da cidade sob a perspectiva do crescimento do narcotráfico.

A cidade do Rio de Janeiro estava impactada por esse novo tipo de crime. Foi um época em que se desenvolveu um grupo de repórteres especializados para cobrir um novo tipo de matéria: as ações policiais nas favelas. Um caso emblemático que ficou na cabeça dos Brasileiros foi o do jornalista Tim Lopes, que foi morto por traficantes em 2002, quando fazia uma matéria investigativa na Vila Cruzeiro.

Nos anos 1980, os repórteres tinham que cobrir um tipo de ação policial que ninguém conhecia. O narcotráfico estava dando os primeiros passos para se fortalecer e a Polícia Civil começou usar a técnica para ocupar as comunidades. Segundo Carlos Nobre, ninguém sabia direito como cobrir, não havia um planejamento antes. O repórter ficava no “olho do furacão” e devia se comportar como uma espécie de soldado para se proteger em uma zona de conflito, qualquer erro ou desvio de ação poderia ser fatal. A atenção e o olhar sempre focado são pré-requisitos para um jornalismo investigo.

Usar a observação nas operações policias é importante, ver como os policiais se comportam, como os moradores reagem… é uma matéria de clima, ou seja, se trata da observação de como as partes vão reagir, já que toda ação tem uma reação.

O papel do fotógrafo e do cinegrafista é muito importante, principalmente nas coberturas jornalísticas das ações policias. Esses profissionais são essenciais, uma imagem vale mais que mil palavras nas coberturas policiais. As imagens chocam e refletem os momentos de tensão que foram vividos. Esse tipo de cobertura jornalística exige preparo do repórter: psicológico e físico, para acompanhar a movimentação intensa.

Em um momento, os jornalistas perceberam que a reportagem necessitava ouvir o outro lado da história: o traficante. Assim começou uma técnica de apuração dentro da comunidade para ouvir o traficante, dando uma visão mais ampla do fato, o jornalismo investigativo, que buscava os traficantes. O repórter era uma espécie de antropólogo na favela. Nos anos 1990, essa técnica foi mudada em virtude das mortes de jornalistas que arriscavam a vida para fazer esse tipo de matéria, como foi o caso do Tim Lopes.

Carlos Nobre conclui o livro mostrando que a cobertura jornalística em ações policiais é uma cobertura muito difícil, talvez a mais difícil, em um terreno de guerra.

Por Juliana Pires Curty

Perfil de Juliana Pires Curty

Juliana Pires Curty
Juliana Pires Curty é estudante de Comunicação Social/ Jornalismo na PUC-Rio. Atualmente no 6º período. Eterna bailarina, apaixonada por dança e pelas letras. Quando era criança tinha o Jornal JT com o primo. Hoje sonha em ser uma jornalista “de verdade”. Passou dois anos estudando relações internacionais. Faz estágio com assessoria de imprensa e tem o Blog da Ju, sobre jornalismo, cultura e entretenimento.

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Emílio Coutinho
O jornalista e professor Emílio Coutinho criou a Casa dos Focas com o objetivo de ser um espaço para debate, aprofundamento e divulgação de novidades dentro da área do jornalismo. Os textos aqui publicados são de responsabilidade dos seus respectivos autores.
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