“Existe uma carência de formação básica no jornalista”, afirma diretor de jornalismo do SBT

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Ederson Granetto (esquerda), diretor de jornalismo do SBT em Brasília; ao lado do professor Vicente Darde, coordenador do curso de jornalismo do FIAM-FAAM. (Foto: Karolliny Oliveira)
Ederson Granetto (esquerda),
diretor de jornalismo do SBT em Brasília; ao lado do professor Vicente Darde, coordenador do curso de jornalismo do FIAM-FAAM. (Foto: Karolliny Oliveira)

Durante palestra ministrada na noite do dia 25 de maio de 2018, no campus Morumbi do FIAM-FAAM Centro Universitário, o diretor de jornalismo do SBT em Brasília, Ederson Granetto, contou um pouco de sua trajetória e compartilhou as dificuldades de encontrar um profissional preparado para o mercado.

O diretor do SBT iniciou a palestra recordando sua trajetória como jornalista desde a época que entrou na faculdade, já que também é ex-aluno do FIAM. Granetto contou que tinha uma visão romantizada do jornalismo, muito comum entre os estudantes: “queria mudar o mundo”. Os tempos eram outros, não existiam as tecnologias que estão disponíveis hoje e o profissional encontrava mais obstáculos na produção das notícias ou reportagens. Não existia internet nem computador. O jornalista trabalhava com máquina de escrever e quando o repórter estava na rua, era preciso combinar horários para que ele pudesse encontrar um telefone e ligar para a redação e verificar se havia alguma novidade na pauta em questão.

Durante todo o evento, Granetto ressaltou a importância da leitura. “Tem que saber ler desde o livro clássico até o moderno. Tem que começar cedo, se possível antes da faculdade”, afirma. O jornalista relatou a dificuldade de encontrar profissionais no mercado atual que tenham esse repertório de leitura. Para ele, não basta simplesmente que o comunicador esteja antenado nas notícias. A leitura de livros é fundamental como instrumento de escrita. “Existe uma carência de formação básica no jornalista: ele lê pouco. As pessoas chegam para trabalhar sem conteúdo de leitura”, lamentou.

Outro ponto de destaque foi a mudança na forma transmitir uma informação, a comunicação tornou-se imediata. Hoje qualquer pessoa com um celular pode ser um produtor de conteúdo. “Essa evolução da comunicação nos leva ao fato de que precisamos estar cada vez mais preparados para comunicar melhor”, afirma.

Discutiu-se também a questão das Fake News, notícias falsas que são propagadas pela internet. Granetto contou que os jornais já estão criando núcleos nas redações para desmentir esse tipo de conteúdo. Ele ainda acrescentou que hoje, além de se preparar para escrever bem, é importantíssimo saber apurar as informações, mesmo que a fonte seja confiável. Uma das características de um bom jornalista é ser sempre desconfiado.

O tópico final da discussão foi a multifuncionalidade do jornalista requisitada pelo mercado. Granetto explicou que o profissional precisa entender todas as etapas do processo de produção da notícia ou reportagem. Então, se o comunicador está em uma televisão, é necessário que ele compreenda todas as fases do processo de realização daquele VT. E isso vai desde a operação técnica dos equipamentos até a edição do produto final. Quanto mais conhecimento o profissional tiver, melhor será o resultado final.

Por Daniela Simões.

Perfil da Autora

Daniela Simões é formada em jornalismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Já trabalhou na revista Época e hoje atua como freelancer.

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