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O princípio de uma imprensa livre

O chamamento para defender a liberdade de imprensa se repete ano após ano com força renovada, sem perder um ápice de atualidade. Mas como é possível que a liberdade de imprensa siga sendo tema de debate? Ainda não conseguimos transmitir a mensagem?

A resposta é simples: a imprensa é poder e onde há poder sempre haverá alguém que busque controle e influência. Sem embargo, por definição, uma imprensa livre é uma imprensa indômita, capaz de falar abertamente à opinião pública; um veículo essencial da liberdade de expressão.

Por essa razão, a imprensa livre sempre esteve e estará na mira.

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Com a crescente consolidação de nossa cidadania digital, os tiranos que se opõem à liberdade de expressão aprendem rapidamente como exercer sua força opressora sobre os meios de comunicação digitais. Os ataques são mais sofisticados e diversos, seus objetivos mais numerosos. Nossa atenção e vigilância devem reagir com igual voracidade.

A impunidade que desfrutam os assassinos de jornalistas se extende também àqueles que acabam com a vida dos blogueiros. Do começo ao fim a censura não diferencia plataformas editoriais. Tão pouco as prisões, levantadas para os que ‘infringem a lei’, fazem distinções.

É impossível impedir que os opressores da liberdade de expressão cerceiem nossas liberdades básicas. De fato, como mostram os índices mundiais da liberdade de imprensa, o fazem com relativa frequência e sem temor às consequências.

Nosso direito de buscar, receber ou difundir informação e opiniões através de qualquer suporte se encontra contemplado na Declaração Universal dos Direitos Humanos, mas os meios devem lutar dia a dia contra as ingerências para seguir sendo baluarte da liberdade de expressão. Enquanto guardião do poder, uma imprensa independente atua como janela da sociedade que põem à vista do escrutínio público os abusos, as digressões, as mentiras e os interesses dos que mandam.

Para governos corruptos, criminais e fundamentalistas de qualquer cor, seria melhor que essa janela permanecesse fechada à cal e canto.

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No México, por exemplo, os jornalistas que se atrevem a abri-la enfrentam represálias violentas e inclusive mortais. Os efeitos são devastadores: “Se engendra um clima de temor que faz com que permanecer no silêncio seja melhor que falar de sucessos que possam supor uma ameaça”, explica a jornalista e escritora mexicana Anabel Hernández. “Isto conduz a autocensura, que afeta a liberdade de expressão, que por sua vez afeta a qualidade e a profundidade da informação que recebe a sociedade. Se a sociedade não conhece a realidade que a rodeia, quem pode tomar decisões?”.

Independentemente do lugar em que vivamos ou do que fazemos, detenhamo-nos um momento a refletir sobre que tipo de sociedade teríamos sem a existência de meios inquisitivos.

Quem tomas as decisões em nosso nome e quão transparente é o processo?

Esta é, no fim das contas, a razão pela qual defendemos aos jornalistas e a liberdade de imprensa em todo o mundo.

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Não cabe dúvida de que a Internet está deixando as coisas mais difíceis. As regras do controle que oferecem contra-peso ao poder, das que os meios tradicionais haviam sido guardiões durante tanto tempo, estão se movendo rapidamente além dos parâmetros definidos.

Internet convida aos censores a entrar em nossos lugares, aos poucos inconscientemente, fazendo que a defesa da liberdade de expressão seja um tema de preocupação para todos aqueles que participam nas redes sociais, se comunicam por correio eletrônico ou disponham de um smartphone ou um tablet.

Ao menos deveria sê-lo. Paradoxalmente, a grande revolução digital, que motivou o advento de uma nova era de verdadeira conectividade mundial, oferece outro mecanismo de controle e uma maneira de destruir a liberdade de expressão. Pode ser que os meios de informação on-line, alertados pelas experiências da imprensa escrita, estejam melhor preparados para combater o problema. Mas nós, como indivíduos, estamos?

Tanto dentro como fora da Rede, enfrentamos avassaladores desafios e ameaças. A cada ano fazemos a contagem dos jornalistas perdidos, os profissionais dos meios de comunicação que sofrem no cativeiro e as publicações que recebem ameaças, intimidações ou se veem condenadas a fechar suas portas.

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O 3 de maio é uma ocasião para recordar, com a solenidade merecida, aos colegas que foram vítimas da violência por causa de seu trabalho. Especialmente aqueles que perderam a vida no exercício de sua profissão.

Uma ‘profissão’ que não consistia simplesmente em oferecer notícias. Seu trabalho – arriscado, às vezes perigoso e sempre franco – ia além de uns títulares que muitas vezes acabavam perdendo a vida no exercício de sua profissão.

Tanto dentro como fora da Rede, enfrentamos avassaladores desafios e ameaças. A cada ano fazemos a contagem dos jornalistas perdidos, os profissionais dos meios de comunicação que sofrem no cativeiro e as publicações que recebem ameaças, intimidações ou se veem condenadas a fechar suas portas.

O 3 de maio é uma ocasião para recordar, com a solenidade merecida, aos colegas que foram vítimas da violência por causa de seu trabalho. Especialmente aqueles que perderam a vida no exercício de sua profissão.

Uma ‘profissão’ que não consistia simplesmente em oferecer notícias. Seu trabalho – arriscado, às vezes perigoso e sempre franco – ia além de uns títulares que muitas vezes acabavam sendo seus próprios obituários. Seu trabalho representa a crença em um princípio, ancorado na essência mesma da democracia e tangível em cada artigo, cada imagem e cada reportagem.

Nós nos sentimos orgulhosos de defender esse príncipio sobre o qual se fundamenta nossa indústria e que faz com que o jornalismo siga adiante.

Leia também: Jornalismo Investigativo é redundância?

Fonte: Associação Mundial de Jornais e Editores de Notícias (WAN-IFRA).

Traduzido por Emílio Portugal Coutinho.

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Emílio Coutinho
O jornalista e professor Emílio Coutinho criou a Casa dos Focas com o objetivo de ser um espaço para debate e divulgação de novidades no jornalismo.
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