InícioDebate FocaO sensacionalismo nosso de cada dia

O sensacionalismo nosso de cada dia

É decepcionante perceber que o sensacionalismo já não é mais motivo de falta de qualidade nos meios de comunicação, pelo contrário, tem sido bem aceito no jornalismo atual. O que mais desestimula é constatar que não se pode culpar unicamente os meios de comunicação, nem insinuar que estes têm pouco assunto para tratar nos noticiários, uma vez que assunto de interesse público há aos montes. Então quem poderá ser apontado como responsável pelo sensacionalismo explícito?

O jornalismo sensacional se caracteriza quando uma notícia transmitida rende mais algumas matérias. Quando se busca profissionais que possam comentá-la e são entrevistadas testemunhas, acusados, curiosos. Em seguida, faz-se outra matéria em cima de casos parecidos e entrevista-se pessoas que tiveram relação com esses outros casos. Rende notícias e artigos no site, no jornal, na revista. Comentários na TV e no rádio. Enfim, alimenta uma grande audiência.



Se considerarmos a teoria da agenda setting, em que a mídia seleciona e transmite assuntos que considera de interesse de seus espectadores, então temos a resposta de que a responsabilidade por essa prática é de jornalistas. Mas a teoria também leva em conta o retorno do público sobre os fatos divulgados, afinal, se o assunto não é atraente para o alvo, a audiência deixaria de existir. Sendo assim, é perceptível certa preferência pela tragédia e pelo drama, tanto por parte da mídia quanto dos receptores.

Ao invés do jornalismo contribuir para uma maior aquisição de conhecimento por parte do público, apenas alimenta sua fome por escândalos e desgraças. Parece que assim como a vida das celebridades gera lucros exorbitantes à mídia, no âmbito do sensacionalismo, os crimes mais cruéis e causados por pessoas públicas ou de alta classe social, por exemplo, rendem muito ao jornalismo. Como nos casos Richthofen, Nardoni e Samúdio, para citar apenas alguns.



Com o passar do tempo, o jornalismo como profissão distinta pode deixar saudades. Obviamente, sempre houve profissionais censuráveis e notícias mal dadas, mas há vinte anos os jornalista eram apaixonados por sua profissão, e quando erravam, muitas vezes era por falta de experiência. Agora, o limite entre o certo e o errado é uma linha tênue, que muda propositalmente de acordo com as necessidades. Os meios de comunicação não têm mais o ideal de informar a sociedade, restou apenas o interesse constante pelos lucros da audiência. E, infelizmente, os públicos dessas mídias permitem, até inconscientemente, essa distorção de valores.

Desse modo, o sensacionalismo perece ter se tornado uma ferramenta indispensável para o novo jornalismo. E não é de todo mal, traz benefícios: o de entretenimento pelo seu formato tão surreal, porém somente se o espectador for capaz de perceber. Todavia, a maior parcela da sociedade não é suficientemente preparada para discernir o real do sensacional. Embora saibamos que novas ferramentas de comunicação ainda possam modificar essa realidade, resta saber se será para um jornalismo mais ancorado em conhecimento ou se continuará se inclinando para o lado menos digno da profissão.

Por Andreza Galiego

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Perfil de Andreza Galiego

Andreza Galiego é estudante de Jornalismo e estagia na Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Andradina, cidade onde mora. Aos 20 e poucos anos, terminando a faculdade, ainda vê a profissão como um meio de mudar o mundo, o próprio e o dos outros. Tem mania de discordar e gosta de pessoas estranhas. Estuda todo tipo de assunto que consegue no período em que está acordada, mas na maioria das vezes faz tudo dormindo mesmo. Escreve também no blog Jornalista sem Pauta. Achou incrível o convite para escrever no Casa das Focas e espera contribuir para o "descobrimento do jornalismo".
Andreza Galiego é jornalista recém-formada e estagiou na Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Andradina, cidade onde mora. Aos 20 e poucos anos, terminando a faculdade, ainda vê a profissão como um meio de mudar o mundo, o próprio e o dos outros. Tem mania de discordar e gosta de pessoas estranhas. Estuda todo tipo de assunto que consegue no período em que está acordada, mas na maioria das vezes faz tudo dormindo mesmo. Escreve também no blog Jornalista sem Pauta. Achou incrível o convite para escrever no Casa das Focas e espera contribuir para o “descobrimento do jornalismo”.

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