Rumo ao último semestre de jornalismo

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Rumo ao último semestre de jornalismo

Uma longa jornada de quatro anos de estudo em busca de um sonho. Ansiedade, preocupação e insegurança. Esses são os sentimentos que me invadem no último semestre do curso de jornalismo. Ao mesmo tempo, estou repleta de expectativas para o futuro.

Só de pensar que daqui a alguns meses estarei formada, sinto também o maior alívio do mundo.

Entre 2011 e 2015 foram muitas horas de estudo e poucas de sono, provas, trabalhos em grupo, seminários e palestras. Fazer um texto aqui, marcar uma entrevista lá e por aí vai. O curso de jornalismo é uma mistura de teoria e prática; é extenuante e prazeroso; é uma relação de amor e ódio; é lidar com a informação e a opinião. É repensar a forma de ver o mundo e deixar de lado a visão romantizada e os paradigmas criados em torno da profissão.

Fazer jornalismo é ter o privilégio de nunca parar de ler, escrever, se informar, conversar com as pessoas e ouvir as suas histórias.

Ao longo desses quatro anos estudei a história do jornal impresso, da TV, do rádio e das principais revistas brasileiras. Aprendi sobre comunicação empresarial e, sobretudo, que a mídia possui um imenso poder de persuasão. No filme O quarto poder (Costa-Gavras) a questão é retratada de forma muito precisa. Além disso, a mídia cria ou reforça estereótipos e contribui na construção da identidade de um povo. É a partir da imprensa que o público acredita ou não em determinados fatos.

Jornalistas que atuam nos grandes veículos de comunicação como Globo, Veja, Folha de S. Paulo, entre outros, são fundamentais na formação da opinião pública. E essa opinião reflete diretamente na sociedade e no exercício da democracia.

As aulas de técnicas de redação foram muito importantes, afinal, todo jornalista tem de escrever bem, pois sempre será cobrado pela qualidade e coerência do seu texto.

Saber diferenciar uma notícia de uma reportagem, analisar com olhar crítico um artigo e produzir um texto mais leve como uma crônica ou um perfil também é muito prazeroso.

Dentro do jornalismo há vários segmentos: política, economia, esporte, cultura, etc. E algo fascinante que aprendi no curso foi o jornalismo literário. Eliane Brum, Gay Talese e Truman Capote são apenas alguns exemplos de autores que despertam os nossos sentidos e que nos fazem mergulhar numa boa história.

Um segmento que vem impactando a nossa área é a tecnologia. O webjornalismo está cada vez mais presente e a própria cibercultura e a mídias sociais permitiram um novo fazer jornalístico. Blogs, vídeos, interatividade e compartilhamento de informações proporcionaram uma revolução na comunicação. E é muito interessante observar tudo isso agora, em que estou no final dessa jornada. A transformação jornalística interfere tanto para o produtor da notícia quanto ao receptor.

As novas ferramentas tecnológicas, a questão do diploma, a publicidade camuflada nas notícias e a regulamentação da mídia são outros desafios que giram em torno da profissão.

As aulas nos estúdios de rádio e TV foram experiências únicas. É incrível a sensação de poder ouvir a sua própria voz narrando uma notícia ou ficar diante de uma câmera com um microfone na mão. No entanto, o que mais me marcou foi a formação teórica que recebi ao longo do curso. Política, sociologia, antropologia, geopolítica, artes e teorias da comunicação foram disciplinas fundamentais que me ajudaram a enxergar o mundo com outros olhos e tomar uma posição sobre os mais diversos assuntos. E é com um misto de nostalgia e satisfação que relembro as aulas que tive com os grandes professores que me ensinaram os clássicos, como Maquiavel, aos contemporâneos, como Zygmunt Bauman.

Por fim, sei que vou sentir falta dos meus mestres, de suas aulas e dos colegas de classe. Ainda falta concluir o TCC, mas já me sinto vitoriosa por ter passado por três estágios, sete semestres de muita dedicação e ter chegado até aqui. A graduação é apenas um ciclo que termina, pois sei que virão muitos outros. Quero seguir estudando e trabalhando para aprender e dividir minhas experiências. Não sei o que virá pela frente, nem como será o meu futuro, mas uma coisa é certa: podemos perder tudo na vida, mas o conhecimento que adquirimos é a arma mais poderosa que temos e essa ninguém nos tira.

Por Barbara Melo.

Perfil do autor

Barbara Melo

Barbara Melo é estudante do 8º semestre de Jornalismo, na FIAM, e atualmente é redatora na Conteúdo Online. É apaixonada por cinema, comunicação, cultura, política e sociologia. Adora estudar e não dispensa uma boa conversa, seja ela sobre coisas simples do cotidiano, ou um papo-cabeça. Está sempre pronta para vivenciar novas experiências e desafios.

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