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“Temos que buscar o novo nas ruas, longe das maquininhas”, alerta Caco Barcellos

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Os desafios do livro reportagem, o mercado de trabalho e a influência das novas mídias. Esses foram os temas abordados na 12ª mesa de debates no II Salão do Jornalista Escritor, no Memorial da América Latina no último final de semana (7 e 8 de setembro de 2013). O evento que contou com a participação de profissionais renomados da área, teve como encerramento a mesa composta por Caco Barcellos ( TV Globo), Ivan Marsiglia (Estadão) e Fernando Coelho (Jornalista e escritor).

Mergulhar é preciso

Para o jornalista do Estado de S.Paulo, quando o repórter está em busca de novas histórias, deve se atentar aos detalhes e ter a literatura como base “o uso da literatura é a subjetividade do escritor. O tipo de observação que o repórter faz é um diferencial”. Autor de três obras consagradas, Barcellos afirma que ao escolher um tema específico, é necessário estar envolvido com ele, saber ouvir, ter senso crítico na apuração e paciência. “Eu fico tomado por uma sequência de histórias e vou atrás. É um processo de conquista, pessoas contra e a favor .Use todos os sentidos”. Caco diz que os livros de ficção auxiliam na composição das obras, pois têm uma estética atraente “Eu li 35 vezes A Sangue Frio de Truman Capote. Observava desde a construção dos parágrafos à repetição das palavras”. Complementando os colegas, Coelho ressalta que no processo de apuração, o jornalista deve estar ciente do que será publicado e qual será o impacto do seu trabalho na sociedade.

Da direita para esquerda: Caco Barcellos, Fernando Coelho e Ivan Marsiglia. Foto: Renata Asp
Da direita para a esquerda: Caco Barcellos, Fernando Coelho e Ivan Marsiglia. Foto: Renata Asp

HardNews x Livro-reportagem

Segundo o jornalista da TV Globo, a linha editorial é uma das dificuldades enfrentadas pelas redações. Idealizador do Profissão Repórter, diz que o projeto tem como missão apresentar ares e olhares diferentes para as mesmas histórias mas, ao mesmo tempo afirma: “A arte da reportagem é extremamente complexa. Sempre é possível apurar mais”. Barcellos também alerta para o fato da mídia ser referência em pesquisas de sociólogos, filósofos e historiadores e cabe aos profissionais terem consciência de que contribuem para histórias futuras. “Se a gente não tiver cuidado com essa complexidade, alguns episódios dessas grandes histórias podem passar despercebidos”.

Marsiglia acrescenta que o repórter que tem ética profissional, conquista ao longo dos anos uma independência que resulta em verdades mais próximas dos temas propostos. Ambos defenderam que o livro-reportagem possibilita uma liberdade maior e uma investigação mais aprofundada diante dos fatos.

Mercado de Trabalho

Apesar de formado Ivan diz ser contra a obrigatoriedade do diploma de jornalista “obrigar as pessoas a terem diploma, é uma visão autoritária” e analisa que as faculdades terão uma melhora no ensino “as instituições de jornalismo disputarão com outros cursos [sociologia, história] e isso surtirá um efeito positivo”. Para Caco a preocupação maior é o mercado publicitário inserido nas editorias “a gente é realmente só jornalista ou publicitário? Temos muita propaganda camuflada nos editoriais”, critica. Mesmo favorável ao uso das plataformas digitais, o jornalista diz que há uma concorrência maior com novas possibilidades e garante que o diferencial para um repórter está nas ruas. “Temos que buscar o novo nas ruas, longe das maquininhas”, finalizou.

Por Kelly Mantovani / Fotos: Renata Asp.

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Perfil de Kelly Mantovani

Kelly Mantovani
Pisciana, paulistana da gema e amante de bons livros. Estudante do terceiro semestre de Jornalismo na FIAM (Faculdades Integradas Alcântara Machado), atua como estagiária em Assessoria de Imprensa na Prefeitura de São Paulo e contribui com muito orgulho sugerindo pautas para a Casa dos Focas.

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