O Jornalismo Esportivo no Rádio

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O futebol brasileiro -atrevo-me a acrescentar aqui os demais esportes-, merece uma cobertura jornalística mais crítica e independente. (Foto: Pixabay)
O futebol brasileiro -atrevo-me a acrescentar aqui os demais esportes-, merece uma cobertura jornalística mais crítica e independente. (Foto: Pixabay)
O futebol brasileiro -atrevo-me a acrescentar aqui os demais esportes-, merece uma cobertura jornalística mais crítica e independente. (Foto: Pixabay)

No livro “Jornalismo de Rádio”, da Editora Contexto, o jornalista e âncora do programa CBN São Paulo, da Rádio CBN, Milton Jung, explica que o rádio cresceu com o futebol brasileiro, se tornando o veículo de comunicação que mais explorou a emoção do esporte logo nos primeiros anos em que clubes e seleções obtinham sucesso.

Ouvir as transmissões dos jogos transformou-se em hábito para milhares de brasileiros, e não foi abandonado mesmo nos tempos atuais, com a cobertura ao vivo feita pela TV aberta e a cabo e com a ascensão da internet e suas múltiplas plataformas. Ainda é comum, que o telespectador assista as partidas de olho na tela e com o ouvido, sintonizado em sua rádio favorita, acompanhando o andamento da partida.

Contudo, a proximidade entre o veículo e o esporte gerou uma dependência e intimidade prejudiciais ao radiojornalismo, uma vez que muitos não compreendem a cobertura esportiva como uma atividade jornalística, o que leva ao desrespeito de alguns preceitos da profissão.

Milton adverte em seu livro que o convívio diário de um locutor, comentarista e repórter nos clubes pode ser prejudicial, pois muitos deles acabam ganhando a amizade e a admiração, tanto dos jogadores quanto dos técnicos e diretores. Porém, esse relacionamento, intimidade demasiada com a fonte, pode ser um obstáculo na busca pela isenção, que é um dos pontos primordiais no jornalismo.

Na opinião do âncora da CBN esse tipo de relacionamento pode acabar se transformando em um negócio, fazendo com que o jornalista tome o papel de um empresário, comprando e vendendo atletas, ao noticiar com frequência que determinado jogador deverá se transferir para outro clube.

A dupla função também é um dos tópicos analisados pelo autor, pois o profissional de comunicação pode comprometer sua imagem ao aceitar convites para ser assessor de imprensa de uma agremiação sem abrir mão de seu cargo na redação.

Além disso, Jung recorda que alguns clubes chegam a oferecer passagens aéreas e até estadias para os jornalistas esportivos com o intuito de garantir a cobertura da competição da qual estão participando, principalmente no exterior.

Os deslizes éticos do esporte, um dos perigos apontados pelo autor, são comuns nesse segmento, pois muitos narradores, cronistas e repórteres não provocam tanta polêmica ao fazer “merchandising” durante as transmissões.

Com isso, aumenta a responsabilidade do jornalista em defender uma atitude que seja condizente com a profissão, baseada nos princípios éticos, para assim educar o cidadão e tê-lo como seu aliado.

O futebol brasileiro -atrevo-me a acrescentar aqui os demais esportes-, merece uma cobertura jornalística mais crítica e independente.

O autor acredita que as rádios que possuem os mesmos compromissos comerciais das emissoras de TV, mas que pela falta de dinheiro, não tem condições o suficiente para assumir negócios milionários, deveriam aproveitar essa situação, bem como a pressão menor que sofrem, para realizar coberturas mais críticas e independentes, investindo em reportagens que mostrem além dos temas corriqueiros e desenvolvendo, desta forma, um jornalismo investigativo dentro do esporte, incisivo, com base no modelo usado pelos jornais impressos.

As redações poderiam tirar o repórter do Centro de Treinamento para colocá-lo no submundo do futebol, solicitando a ele que seja um investigador, buscando dados, informações e indícios que revelem o lado obscuro por trás do esporte.

O futebol, na visão do jornalista da CBN, é tido como um negócio que envolve milhares de brasileiros diretamente na produção de material esportivo, assim como transmissões de jogos e demais personagens que compõe esse cenário, porém, o esporte em si não pode ser tratado como se fosse de menor importância ou de forma menos séria, e por isso, adverte, inclusive, a necessidade de uma mudança de comportamento jornalístico tanto na dimensão técnica como ética.

Por Leandro Massoni

Perfil do Autor

Leandro Massoni

Graduado em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Paulista – Unip, Leandro Massoni teve como sua primeira experiência na área um estágio na produção da Revista Eletrônica Domingo Espetacular, da Rede Record. Atualmente, é jornalista e repórter de uma agência de notícias católicas, locutor e apresentador na Rádio Show, rádio comunitária da Rádioficina, e possui um blog intitulado Comunique Esporte, direcionado a estudantes de comunicação que desejam seguir a área esportiva.

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