A Teoria do Agendamento ou Agenda Setting

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Na década de 1970, a dupla de pesquisadores Maxwell McCombs e Donald Shaw, desenvolveu uma teoria na qual se discute o fato de que é a mídia quem determina quais assuntos farão parte das conversas dos consumidores de notícias. Essa teoria que ganhou o nome de Teoria do Agendamento e defende que o público tende a dar mais importância aos assuntos que tem maior exposição nos meios de comunicação, sugerindo assim que é a mídia quem diz sobre o que iremos falar. Segundo o jornalista Felipe Pena no livro Teorias do Jornalismo, o Agenda Setting, como é chamado nos Estados Unidos, tem como base as ideias do livro Public Opinion, de Walter Lippman que foi publicado em 1922. O livro traz a ideia de que a mídia é a principal ligação entre os acontecimentos no mundo e as imagens destes acontecimentos no nosso imaginário e que a imprensa utiliza estereótipos para simplificar e distorcer o entendimento de uma realidade que não podemos ver.

McCombs e Shaw desenvolveram uma pesquisa na campanha eleitoral presidencial dos Estados Unidos de 1968, que comparou os temas mais relevantes pelos eleitores com os mais enfatizados pelos meios de comunicação e chegaram à conclusão de que os temas mais expostos pela mídia eram muito semelhantes aos temas que os cidadãos consideravam como mais importantes, reforçando as palavras de Shaw “as pessoas tem tendência para incluir ou excluir de seus próprios conhecimentos aquilo que os mass media incluem ou excluem do seu próprio conteúdo”.

Para concluir a explicação, darei um exemplo de como funciona a Teoria do agendamento nos dias atuais:

No dia 09 de abril de 2013, um jovem de 19 anos foi morto durante um assalto na zona leste de são Paulo, o suspeito do assassinato completaria 18 anos três dias depois de cometer o crime e por isso cumpriria a pena como menor de idade. O caso ganhou as páginas dos principais jornais do Brasil e em poucas horas se tornou um dos assuntos mais comentados do país. Poucos dias depois, uma pesquisa do Datafolha com a seguinte questão “Se houvesse uma consulta, você votaria contra ou a favor da redução da maioridade penal para 16 anos?” alarmava: 93% dos moradores da capital paulista queriam redução da maioridade penal. Infelizmente assassinatos desse tipo ocorrem diariamente, em vários lugares do país e por inúmeros motivos, mas por causa da abordagem parcial da mídia que deixou de contextualizar as causas deste tipo de problema social, a população tomou quase que unanimemente a decisão “Queremos redução da maioridade penal!”.

Fica evidente o quão perigoso é analisar um fato sem contextualiza-lo e/ou sem conhecer todos os lados da história. Basear-se em apenas uma fonte de informação é como dirigir um carro sem olhar pelos espelhos retrovisores, você não enxerga o que acontece ao seu redor, somente a sua frente e está sujeito a cometer erros por não ter uma visão completa e adequada da situação.

Por Elias Brown.

Perfil do Autor

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Elias Brown é estudante de Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Paulista – UNIP. Atualmente trabalha com mídias sociais na Livraria Cultura e nas horas vagas se dedica a música e a leitura. Contato: [email protected]

2 COMENTÁRIOS

  1. Realmente, a manipulação é cotidiana e recebemos um turbilhão de informações estereotipadas com o intuito de simplificar algo complexo, que exigiria um aprofundamento nas análises, vejo nesse intuito a manipulação e lavagem cerebral, quando nos vetam a capacidade de refletir ao trazer todas as informações pré-jugadas.

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