A essência do jornalismo segundo Fabíola Cidral

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Sorte, foco, determinação e um toque de destino. Querer, muitas vezes, é poder, sim, principalmente se lutarmos por nossos ideais, fazendo com que o impossível torne-se possível. Já dizia o poeta Fernando Pessoa: ‘Você é do tamanho dos seus sonhos’. Foram esses ventos que tornaram possível que uma criança curiosa de Santos se tornasse uma referência feminina no jornalismo de rádio.

Formada em jornalismo pela Universidade Católica de Santos (UniSantos), em 1999, Fabíola Cidral também fez cursos de especialização em Jornalismo Econômico na Fundação Getúlio Vargas (FGV/SP) e em Saúde no Hospital Albert Einstein (2002/2004), foi estagiária na BBC de Londres, em 2006, e concluiu MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA/USP), em 2008. A carreira dessa jornalista começou no Jornal da Orla em Santos, em que ficou por quatro anos. Pela TV Bandeirantes (SP), apresentou o programa Fique Bem. No rádio, foi apresentadora na Litoral FM (SP). Em 2000, foi para o jornal Vidaqui (SP), distribuído no bairro paulistano de Vila Mariana. No mesmo ano, começou a trabalhar na rádio CBN (SP), onde segue até hoje como âncora do CBN São Paulo e apresentadora do programa Caminhos Alternativos. Abaixo, ela fala de como se tornou jornalista, como entende a profissão e como toca a vida: ‘Não tem alternativa à sinceridade. Então o caminho é só um, é esse. O único’.

Por que você escolheu cursar jornalismo e não outra faculdade?

Fabíola Cidral – Na verdade eu sempre fui uma pessoa muito curiosa, sabe, com a vida como um todo. Eu sempre gostei muito de contar histórias e de ouvir histórias. No jornalismo, para mim, a essência é essa: contar e ouvir histórias. É o que eu mais gosto na vida, desde pequenininha sempre gostei muito disso, esse deve ter sido o maior impulso para escolher o jornalismo.

Dizem que hoje em dia apesar de nos formarmos numa determinada área, no mercado de trabalho, precisamos fazer de tudo. Versatilidade é a palavra da vez. Você concorda com isso?

Fabíola – A versatilidade hoje mais do que nunca é essencial nos vários veículos. Por exemplo, eu trabalho em rádio, a gente faz vídeo, a gente faz texto porque trabalha com blog, a gente coloca conteúdo no Facebook, então usa a internet o tempo inteiro. Você escreve, você fala e você faz vídeo. Isso tudo ao mesmo tempo.

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A maneira que você começou a trabalhar na rádio CBN é muito curiosa… Você mandou um e-mail pro Heródoto, falando que era seu sonho trabalhar na CBN, e que inclusive você já trabalhava com rádio. Então foi até a rádio, fez um teste e passou. Foi isso mesmo que aconteceu, Fabíola? Então você está realizando um sonho?

Fabíola – Foi isso mesmo, muito legal. Eu sempre gostei muito de bolar programas de rádio. Eu gosto de escrever roteiros, criar programas, boletins. Isso me move muito. Assim que eu saí da faculdade, eu fiz um projeto e saí batendo de rádio em rádio para vender esse projeto. Consegui numa rádio em Santos, chamada Litoral FM, em que tive um programa feminino que se chamava Atraente. Lá eu tive uma experiência maravilhosa e percebi que eu amava aquilo que eu fazia. O rádio para mim era uma coisa muito importante, muito forte. É no que eu me realizava profissionalmente e pessoalmente. Quando eu vim para São Paulo, eu procurava trabalhar numa rádio legal. Foi aí que eu mandei um e-mail pro Heródoto, sonhando, sabe. Eu pensava assim: ‘nunca que ele vai me responder’ — e ele respondeu. Contei um pouco da minha história, que eu tinha um programa de rádio em Santos, que meu sonho era trabalhar na CBN. Aí ele respondeu: ‘Vem aqui conhecer a rádio, conversar comigo’. Deixei meu currículo lá e mesmo assim fiquei pensando ‘não vai rolar, ele não vai me chamar’, e, no mesmo dia, quando eu estava saindo de lá, meu celular tocou. Me chamaram para fazer um teste, e foi assim que eu entrei. Uma sorte bem grande, um grande sonho que foi realizado.

No programa Caminhos Alternativos, que você apresenta com Petria Chaves, qual é a essência do programa? Que mensagens e sensações vocês querem passar?

Fabíola – Caminhos Alternativos é assim: o nosso objetivo é falar sobre a vida. O quanto é bom e o quanto é difícil viver na sua plenitude. O programa começou de uma conversa entre eu e a Petria, muito insatisfeitas com a forma como é feito o jornalismo tradicional, só essas notícias ruins. Algo que não estimula o crescimento pessoal, que não estimula o desenvolvimento das mentes e a busca de uma vida melhor. Daí a gente estava conversando: ‘E se a gente fizesse um programa que pudesse discutir tudo isso economia, política, alimentação, esportes, enfim — só que com um outro olhar?’. Numa tarde, a gente desenhou o Caminhos Alternativos, escrevemos o roteiro dele. Explicamos que o programa não seria aquela coisa clichê, vamos querer vivenciar isso, experimentar. Então o ponto de partida foi isso, um jornalismo experimental, vivencial mesmo. Essa é a ideia do Caminhos, tudo que a gente fala, a gente faz. Mostramos o quanto é difícil emagrecer, fazer uma atividade física, você transformar a sua vida em algo melhor. Essa é a mensagem que a gente quer passar, é difícil, mas é bom. Estamos fazendo isso com vocês ouvintes. Esse é o recado do Caminhos sabe, vamos tentar olhar o que é bom e vamos atrás disso.

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De todas as edições do Caminhos Alternativos que você apresentou até agora, qual foi o que mais te marcou?

Fabíola – A primeira reportagem que eu fiz foi muito marcante: falava sobre os freegans, um grupo de jovens que busca a sustentabilidade, que buscam viver meio que dos restos para poder reaproveitar tudo. Há uma comunidade assim em São Bernardo, uma casa onde eles dividem tudo. Na sexta-feira fazem um almoço de graça, com a xepa da feira que fica na porta da casa. Eu fui com eles fazer essa experiência. Eles vão na xepa, pegam tudo que tá caído no chão e voltam em casa para fazer um almoço com aquilo. Foi uma experiência muito rica no começo do Caminhos, era realmente aquilo que a gente estava buscando, reaproveitar mais a vida como um todo. Fui para a rua, peguei folha de beterraba, laranja que estava furada, fomos para a casa e fizemos um almoço delicioso com todos os restos. Teve outro também que eu fiz com a Petria, uma reportagem de olhos vendados, que foi muito especial. A gente entrevistou uma pessoa, sem ver, para ter aquela experiência mesmo de você sentir mais a vida, e não só enxergar. Essa foi uma experiência muito forte.

Para terminar, Fabíola me fala, qual é o seu caminho alternativo para ser feliz?

Fabíola – O meu caminho alternativo? Boa (risos). Eu e a Petria temos conversado bastante sobre isso, que a gente não acredita que exista alternativo, existe o caminho. Acho que é isso que eu sigo, não existe o alternativo, existe o meu caminho que é cada vez mais a minha integridade. O caminho da sinceridade, cada vez mais tentar ser sincero a cada minuto, com você mesma e com quem está do seu lado. Não tem alternativa à sinceridade. Então o caminho é só um, é esse. O único.

Por Regine Wilstom (créditos da foto em destaque: Felipe Gulin)

Leia também: Memórias prévias de uma “quase” jornalista

Perfil de Regine Wilstom

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Regine Wilstom é como me conhecem. 21 anos é a minha idade. Estudante do 4° ano de jornalismo pela Universidade Municipal de São Caetano do SUL (USCS) e estagiária na agência da faculdade. Através das palavras ora ditas, ora escritas, tento fazer o que sei de melhor: contar histórias. Poeta nas horas vagas, oscilo entre o mundo dos sonhos e a realidade. O factual e a ficção. A verdade é que eu escrevo sempre com uma única intenção, de tocar um coração.

2 COMENTÁRIOS

  1. Boa noite Emílio, gostaria de obter uma sugestão. Me formei em Jornalismo em 2008, não estagiei pelo fato de pagarem pouco e não dava para eu pagar meu curso, bem desde então, não fiz uma pós e nunca tive coragem de encarar um emprego nesta área, pois acho que além de não ter pós, não tenho experiência. Mas agora estou decidida a entrar na área, tenho 29 anos e quero fazer uma pós, mas não sei em qual área me especializar. Gostaria de saber de você se é muito tarde para eu tentar ingressar na área, se não for gostaria que me desse dicas, todas que você achar interessante no meu caso. Espero seus comentários. Abraços e boa noite.

    • Olá, Rosangela! Fico contente em receber sua mensagem. Peço desculpas pela demora em responder, tive alguns contra-tempos que me impossibilitaram de escrever algo por aqui durante os últimos 20 dias. Quanto ao seu problema lhe digo algo para você gravar em sua mente: NUNCA É TARDE PARA CORRER ATRÁS DOS NOSSOS SONHOS. O jornalismo é uma profissão que valoriza muito o passado de cada profissional, de tal forma que tudo pode virar bagagem valiosa para nossa carreira, basta saber utilizar cada experiência. Recomendo que você primeiro escolha que área pretende seguir no jornalismo e depois disso escolher uma pós que melhor se encaixe. Independente de qualquer coisa o importante é estar sempre lendo muito sobre tudo. Tenha certeza, um amplo conhecimento cultural é um ponto muito valorizado nas grandes redações. Espero ter lhe ajudado. Para o que precisar estarei por aqui, ou pelo e-mail [email protected] Até mais! Emílio Coutinho

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