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Filme: O mercado de notícias

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“O Mercado de Notícias”, longa-metragem dirigido e escrito por Jorge Furtado, o mesmo diretor de filmes nacionais de grande sucesso, como “O homem que copiava”, “Doce de Mãe” e “Meu tio matou um cara”, apresenta uma das melhores definições para a situação atual do jornalismo.

Contado com o depoimento de 13 jornalistas brasileiros de grande destaque, entre eles, Bob Fernandes, Mino Carta e Geneton Moraes Neto, o filme trata sobre o sentido e a prática do jornalismo em meio às mudanças da maneira de consumir notícias e o futuro da profissão, sendo mostrado, em alguns momentos, através da encenação teatral feita pelos atores que fazem parte da versão brasileira de “O Mercado de Notícias”.

Durante a concepção de seu mais recente trabalho no cinema brasileiro, Furtado precisou pesquisar a história do jornalismo, desde o uso das prensas móveis por Johannes Gutenberg, até descobrir a peça teatral com o nome homônimo de seu filme, escrita pelo dramaturgo, poeta e ator inglês Bem Jonson. Foi então que teve inspirações para criar o documentário, reunindo os mais renomados jornalistas da atualidade.

Jorge Furtado e as mudanças no jornalismo

Antes de seguir a carreira como cineasta, o porto-alegrense, Jorge Furtado passou pelos cursos de medicina, psicologia, artes plásticas e até mesmo de jornalismo. Mas como ele mesmo afirma, apesar de não ter seguido no jornalismo, sempre foi e se considera um aficionado por notícias.

Ao iniciar a tradução da peça de teatro, o diretor do filme alegou ter percebido a transformação em que o mercado da comunicação estava sofrendo: quando o poder da imprensa transformou a angulação das notícias.

O cineasta Jorge Furtado. Foto: Divulgação.
O cineasta Jorge Furtado. Foto: Divulgação.

Na visão de Jorge na época do Golpe Militar de 1964 os jornais eram muito parecidos, tanto pelos layouts quanto pelas informações. E somente após a eleição presidencial de Luís Inácio Lula da Silva, em 2002, é que os veículos impressos começaram a se tornar mais oposicionistas.

Sobre o uso das novas tecnologias e de novos meios para se obter informações, ele crê que existe uma tendência de menosprezar a tecnologia, porém, é ela que transforma o resto que está a nossa volta. “A tecnologia digital transformou o jornalismo, o teatro e a televisão. A arte não se inventa, se acumula. A tecnologia não termina. Estamos vivendo uma revolução que está acontecendo agora. Alguém está pensando no jornalismo digital”, destaca.

Picasso do INSS

Em uma de suas reportagens, com um tom mais hilariante, Jorge Furtado recordou do “Picasso do INSS”. Que mais tarde foi constatado como uma “barriga”, ou seja, uma notícia tida como verdadeira em um primeiro momento, mas na qual depois se constata que é falsa.

A história já vem de tempos. No mês de março de 2004, o jornal Folha de S.Paulo havia publicado na capa de sua edição de domingo o seguinte título: “Decoração burocrata”, reportagem esta que falava sobre um valioso desenho do pintor espanhol Pablo Picasso que se encontrava debaixo de luzes fluorescentes e em meio à papelada de uma repartição do governo federal.

Nesse caso, Jorge resolveu usar sua coerência alinhada ao bom humor para descrever o sentido de sua matéria: “os novos ocupantes do governo federal não reconhecem e não sabem lidar com o valor da arte”.

A “barriga”, nada mais é que uma reprodução fotográfica, sem nenhum valor (quer dizer, custou 20 dólares), do desenho de Picasso, o que gerou tamanhas repercussões na imprensa, contudo, os jornais, mesmo alertados de seu grave erro, preferiram não desmentirem a informação.

Em 2005, a Folha de S. Paulo estampava novamente em sua capa a imagem do quadro, desta vez, vítima de um incêndio no próprio prédio do INSS, sendo posteriormente salvo, mesmo contrariando os órgãos públicos. Logo, os jornais foram alertados pelos leitores que se tratava de uma reprodução sem valor. Apesar disso, voltaram a cair no erro e nada noticiaram sobre o equívoco.

E para completar, o suposto quadro do renomado pintor espanhol foi dado, em uma época, ao INSS como pagamento de uma dívida.

O diretor brinca com o fato inusitado ao falar que somente fez o documentário a pedido de alguns amigos que tinham interesse em saber sobre o “Picasso do INSS”.

A era de ouro do jornalismo

Jorge Furtado acredita que o jornalismo está vivendo “a era de ouro” e defende a necessidade de formar profissionais da comunicação mais capacitados e preparados para o mercado e que saibam verificar de forma concisa as fontes de suas informações.

Ao ser indagado sobre o que é preciso para se fazer, de modo mais realista e fiel, a cobertura de uma matéria jornalística, ele respondeu que é tarefa do profissional de comunicação “separar o que é ficção do que não é ficção”.

Para ele, os antigos veículos da imprensa ainda possuem forças para repercutirem nas grandes mídias sociais e salienta que o que está em grande risco (apesar de nós, jornalistas, não considerarmos) é a mídia do papel.

Furtado contou ainda que prefere buscar por notícias fazendo o uso da leitura em grandes jornais, portais na internet e blogs, como o “Poliarquia”, sobre assuntos relacionados à política, citado por ele mesmo, pois uma das funções do jornalista é investigar o poder.

“Se você não está em dúvida, é porque foi mal informado”, reforçou seu pensamento, ao lembrar-se da frase contida no cartaz de seu filme. “É preciso ficar em dúvida para buscar os fatos. É importante ler quem não concorda com você”, concluiu.

Por Leandro Massoni.

Perfil de Leandro Massoni

Leandro Massoni

Leandro Massoni é graduado em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Paulista – Unip, desde 2012. Sua primeira experiência na área foi como estagiário de produção da Revista Eletrônica Domingo Espetacular, da Rede Record. Atualmente, é jornalista e repórter da Gaudium Press, agência de notícias católicas, e estuda locução pela Radioficina.

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