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Gigantes privados ou estatais

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Foto: Pixabay
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É um fenômeno fácil de constatar que houve uma imensa concentração em setores da economia. Hoje as empresas não param de crescer em tamanho e faturamento, e por isso ou abrem novas filiais, ou optam por um modelo mais rápido que é a compra de concorrentes. Em outros casos há fusão e novas mega empresas são criadas no mundo. Não têm fronteiras, e a sede nem sempre está situada em um determinado país, bem como os seus centros de pesquisas. Suas marcas são globais e reconhecidas em qualquer lugar não só pelo produto que oferecem, mas pelo conceito que difundem. Este é um fenômeno próprio do desenvolvimento do capitalismo contemporâneo cuja expressão é a globalização. Assim existem apenas três ou quatro fábricas de motores à jato para aviões no mundo. Ou umas vinte montadoras de carros, quando no século passado existiam mais de uma centena. Até mesmo um simples chocolate tem uma exposição global e a marca que carrega na embalagem é reconhecida no mundo todo, quando não é produzido em um único lugar e disposto em aeroportos ou pequenas bancas de vendedores ambulantes ao lado da estação de metrô.

Este movimento não pode ser confundido com a etapa de desenvolvimento do capitalismo monopolista no final do Século XIX. As grandes empresas entraram em um conflito pela posse dos mercados e para isso deram origem à formas de domínio, com a construções de cartéis ou de monopólios. A indústria de energia é o exemplo mais visível. Elas se tornaram atores na geopolítica mundial e tiveram importância decisiva nos conflitos e na posse dos mercados. As grandes potências optaram ou pela abertura dos mercados para liberar uma ação desses grupos ou fecharam as fronteiras para impedir o que consideravam uma concorrência predatória. Contudo seria necessário criar suas próprias empresas fornecedoras de energia. Para tanto havia necessidade de grandes aportes de capital submetidos a uma remuneração de longo prazo, um desafio que as burguesias dos países capitalistas pobres não tinham condição de arcar. Nesse momento se lança mão das empresas estatais, guarnecidas pelo caixa do tesouro e justificadas ideologicamente como uma forma de impedir que as riquezas nacionais fossem exploradas pelos grande monopólios estrangeiros. Daí para o nacionalismo foi um passo. Assim essa intervenção na economia veio pela direita e pela esquerda. Os estados nazista, fascista ou soviético eram fortemente estatistas.

No panorama contemporâneo muitas estatais no mundo foram desativadas, vendidas para compradores nacionais ou estrangeiros e o monopólio do estado passou a ser privado. Uma única distribuidora de energia elétrica não deixa opção para o consumidor. Ou ele compra dela, ou fica no escuro. É técnica e economicamente inviável que duas ou mais distribuidoras cheguem até o poste de uma residência e o consumidor opte pela que vender mais barato. É nesse momento que entram as agências reguladoras. Elas são um braço do estado não só para prevenir a ausência de concorrência como a imposição de preços e tarifas. Contudo não é suficiente. Há um embate entre os poderosos grupos econômicos e as agências, muitas vezes substituídos por negociações cinzas, tráfico de influência ou propina. Em alguns lugares se tem optado pela repartição do fornecimento de energia para várias empresas, o que não impede o monopólio, ainda que administrado, mas cria um conjunto que fortalece o controle da sociedade representado pelo Estado. Portanto, nacionalismos à parte, a defesa dos interesses locais não se faz necessariamente com uma mega empresa estatal, pode ser um grupo de empresas menores. Creio que isso vale tanto para o fornecimento de eletricidade, como de petróleo.

Por Heródoto Barbeiro

Perfil de Heródoto Barbeiro

Heródoto Barbeiro

Heródoto Barbeiro é jornalista, âncora do Jornal da Record News e do R7, diariamente as 21h. Ex-apresentador do Roda Vida da TV Cultura e do Jornal da CBN. Autor de vários livros na área de treinamento, história, jornalismo e budismo.

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