Imprensa vive tempos de censura

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No dia 18 de maio, último, a imprensa foi vítima de um ato de censura pelo delegado Alcídio de Souza Araújo, da Superintendência da Polícia Federal do Mato Grosso do Sul.

O oficial confiscou um computador, um gravador e lentes para câmera fotográfica do repórter Ruy Sposati, do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) alegando não conhecer a entidade. O jornalista acompanhava a negociação entre os policiais e índios da etnia terena que há uma semana ocupavam a fazenda Buriti, do ex-deputado estadual Ricardo Bacha (PSDB-MS). A ação foi filmada e está no Youtube, assista clicando aqui.

Em nota para o jornal Folha de S.Paulo, o CIMI classificou a atitude do delegado como um “ato de censura injustificado, arbitrário e ilegal”. Legalmente a apreensão do computador do jornalista só poderia ter ocorrido através de um mandado de justiça, o que não ocorreu.

A Polícia Federal informou em nota que “a apreensão dos equipamentos não significa que o conteúdo dos mesmos será acessado sem prévia autorização judicial”.

Delegado Alcídio de Souza Araújo confisca computador do repórter Ruy Sposati, do CIMI.
Delegado Alcídio de Souza Araújo confisca computador do repórter .

O CIMI entrará com representações contra o delegado no Ministério da Justiça, no Ministério Publico Federal (MPF) e na Ouvidoria da Polícia Federal.

Pertencente à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) o Conselho tem mais de 40 anos de existência, exercendo uma participação ativa entre os povos indígenas.

A Censura à imprensa brasileira

A censura à imprensa sempre foi um tema amplamente debatida e infelizmente atitudes como essa sempre ocorreram ao longo da história do jornalismo brasileiro. O assessor de imprensa do CIMI apenas cobria o evento, não interferindo nas negociações dos índios com a Polícia Federal, então qual foi o motivo para haver essa apreensão? Um delegado tem o poder de confiscar os instrumentos de trabalho de um jornalista como se o mesmo estivesse ali armado pronto para iniciar um atentado?

“Pessoas incomodadas com atividade jornalística movem-se no sentido de inibi-la, impedi-la. Essas ações têm elementos cerceadores e acontecem em vários níveis no Estado Brasileiro. No Judiciário, jornalistas enfrentam ações para tirar blogs do ar sem praticamente nenhuma possibilidade de defesa. No Executivo, há ações de agentes de estado como polícias federais e policiais militares. Em alguns casos existe uma incompreensão, uma confusão; em outros há má fé. É uma vertente com viés autoritário”, afirma Celso Schröder, presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas).

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O que podemos esperar de um país em que temos condenados do mensalão como, José Genuíno e João Paulo Cunha, na comissão de constituição e justiça; Fernando Collor que sofreu um impeachment em 1992; e um presidente do senado, Renan Calheiros, que já esteve envolvido em vários casos de corrupção assumindo, ainda que por um dia, o posto de presidente da república interino. Como diria a conhecida canção de Renato Russo: “Que país é esse?”. Para futura geração esperamos que isso mude… e que seja para melhor.

Por Luiz Felipe Duarte Veloso.

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Perfil de Luiz Felipe Duarte Veloso

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Luiz Felipe tem 20 anos e cursa o terceiro semestre de Jornalismo na FIAM/FAAM na cidade de São Paulo, gosta de ler bons livros, frequentar o cinema, teatro e shows de MPB. Há um ano trabalha na área de jornalismo televisivo.

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