Jornalismo esportivo e inovação são temas na Semana da Comunicação do Projeto Conectados

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Jornalista Vinicius Rodrigues debate sobre o jornalismo econômico na atualidade. Foto: Cléber Cunha

O jornalista e locutor esportivo Vinicius Rodrigues compartilhou as experiências e os desafios da profissão durante a 2ª Semana da Comunicação do Projeto Conectados. Na palestra “Os primeiros passos de um jornalista no século XXI”, Rodrigues debateu algumas questões que atravessam a sua área de atuação, como a imparcialidade no jornalismo esportivo e as inovações em coberturas e narrações televisivas, além de oferecer dicas para quem quer se especializar no assunto.

Jornalista Vinicius Rodrigues debate sobre o jornalismo esportivo na atualidade. Foto: Cléber Cunha

Formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero e técnico em locução pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Rodrigues trabalha há cinco anos como locutor esportivo na TV Gazeta. Ele explica que o essencial para quem deseja se tornar um profissional especializado em esportes é o consumo constante de informações sobre o tema, além de gostar da área. “Você tem que assistir jogos desde a terceira divisão da Inglaterra até o campeonato de basquete da Turquia”, pontua. E não para por aí. Segundo o comunicador, outros conhecimentos também influenciam positivamente na prática diária da locução e do jornalismo, como a música, o teatro, o improviso e a literatura, por exemplo.

Novos modelos, novas linguagens

Rodrigues acredita que essa busca por referências, dados e técnicas sobre esportes, aliada a uma reflexão sobre o que já tem sido produzido sobre o assunto no país, podem ajudar a quebrar certos padrões de entrevistas, comentários e reportagens criados pela mídia ao oferecer alternativas a essas produções. Essa padronização é encarada pelo locutor como um dos maiores desafios ao jornalista esportivo atualmente. Para ele, as perguntas e as respostas – tanto de jornalistas, comentaristas e jogadores – têm sido as mesmas, sem “sair da caixinha”.

Nesse ponto, Rodrigues destaca que, apesar da crise e do mercado, as novas oportunidades que a internet permite nos formatos de cobertura de esportes, como a criação de vlogs e canais de Youtube, podem ser um dos caminhos para inovar, também, na linguagem. “A grande dificuldade é você tentar ser original, ser criativo. Quem faz isso se destaca. É o que eu faço na Gazeta: sempre tentando fugir do óbvio, do que a gente conhece há 30 anos. Porque o jornalismo está em movimento e a gente tem que acompanhar”, afirma. Hoje, Rodrigues apresenta um quadro no ‘Mesa Redonda’, programa esportivo da TV Gazeta, que tem como objetivo justamente trabalhar nessa relação televisão-internet, com uma locução mais versátil e inovadora. O quadro, chamado ‘Mesa Quadrada’, já está no ar há mais de dois anos e pode ser conferido aqui.

Para Marcelo Freire, professor de Jornalismo na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), em Minas Gerais, o ambiente digital e suas ferramentas, utilizadas (ou não) em conjunto com outros meios de comunicação, têm esse poder de engajar o público e de ampliar os pontos de vista e as informações aos comunicadores. “Para o esporte e para as narrações, as ferramentas digitais são importantes também para dar mais espaço para outros atores que não tem espaço na mídia tradicional. Isso pode acontecer tanto com times ou atletas com menos destaque, que podem se expressar livremente, quanto para modalidades que não são cobertas pela mídia”, explica.

Dilemas profissionais

Questionado sobre a imparcialidade no jornalismo esportivo, Rodrigues considera que é mais fácil “mascarar” a parcialidade na área. “Os grandes meios de comunicação não têm essa necessidade de [dizer que uma] emissora é mais corinthiana ou mais palmeirense”, exemplifica. Para ele, não há uma regra: o locutor pode decidir ser mais imparcial ou assumir sua parcialidade. Mas o jornalista pontua que optar pela imparcialidade não significa ter menos opinião ou ser mais arbitrário.

Além desse dilema, Rodrigues também comentou sobre os cuidados que precisa manter com a voz, seu principal instrumento de trabalho. Aquecimento e alongamento vocal antes de fazer uma locução e inalações frequentes são algumas das dicas dadas por ele para conservar as cordas vocais. Entretanto, seu maior conselho é procurar uma ajuda profissional. “Para quem quer trabalhar com voz, o fonoaudiólogo é seu melhor amigo”, conclui.

Agora é que são elas

Raquel Costa é estudante do último semestre de Jornalismo nas Faculdades Integradas Rio Branco, em São Paulo, e tem o sonho de trabalhar com a cobertura esportiva. Costa esteve presente na palestra e questionou Rodrigues sobre sua visão em relação à inserção das mulheres no jornalismo especializado em esportes. Segundo o locutor, esse processo de inserção é devagar, porque está envolvido em uma cultura antiga e machista, mas é uma pauta que cada vez mais ganha seu espaço. “Para mim, é muito importante ver um homem falando que, de certa forma, apoia a inserção da mulher na narração esportiva. E ver que num meio com tantas dificuldades, ainda dá para ter esperança”, destaca Costa.

Neste ano, a TV Gazeta de São Paulo transmitiu a Liga de Basquete Feminino (LBF) e a Fox Sports teve, pela primeira vez na história da televisão, uma mulher à frente da narração da Copa do Mundo.

Perfil da autora

Lethícia Bueno é estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). Possui admiração pela força da escrita e pelo alcance de uma voz. Acredita que a informação pode mudar realidades e que o Jornalismo é uma prática social de empatia. Está sempre à procura de uma boa história para contar e não confia em verdades absolutas. Na profissão, já atuou como repórter, assessora de comunicação, produtora de tevê e radiojornalista.

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