Jornalismo freelancer: saiba como sair pela tangente em tempos de crise

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Foto: Pixabay
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Um estudo patrocinado pela Dell e Intel, aponta que entre os profissionais que trabalham em casa, 49% sentem menos estresse, 45% dirigem menos, 33% dormem mais, sem contar o fato de que 52% têm mais tempo para a família. O que de longe é uma vantagem bastante interessante.

Infelizmente, a crise financeira tem gerado efeitos bastante negativos que provém de uma antiga crise que já acontecia no jornalismo em um todo: o desafio de se reinventar, se reciclar. Com o aumento das tecnologias e a procura (cada vez maior) por textos mais curtos, bem escritos, porém diretos, faz com que as redações de jornais e revistas diminuam cada vez mais.

Alguns alegam mudança de cenário, outros dizem ser uma mudança no posicionamento da empresa, sendo ou não culpa da crise financeira do país, são os jornalistas que estão tomando o caminho da roça, ou seja, sendo demitidos. Em São Paulo, no portal Terra, 80% ficaram desempregados. A morte da Revista Info, da Editora Abril, na versão digital deixou 12 jornalistas sem emprego. Na cidade maravilhosa parece que nem tudo está tão lindo assim, já que entre 30 e 40 profissionais do Jornal O DIA, também perderam seus empregos.

Por essas e outras que o trabalho como freelancer vem sendo cada vez mais considerado como uma “saída pela tangente” para diversos profissionais. Todos os anos os números de brasileiros freelancers tem aumentado, mesmo assim, ainda é um mercado novo e desafiador.

O jornalista freelancer

“Faça da crise uma oportunidade”, talvez já tenham escutado ou lido essa frase por aí e, realmente, é muito válida. Ficar em casa choramingando não fará com que você seja contratado e, com certeza, não lhe trará dinheiro. Aproveite esse tempo inicialmente ocioso para fazer aquilo que todo jornalista gosta e faz de melhor: escrever. Obviamente que trabalhar de casa (registrado ou com renda fixa), é diferente de trabalhar home office e ser freelancer, mas como tudo tem os dois lados da moeda, essa atividade não é diferente. Existem vantagens e desvantagens.

Além de saber escrever para formatos e editorias diferentes é indispensável que o jornalista seja versátil, pró-ativo, antenado, disposto a conhecer e aprender coisas novas, responsável e organizado já que terá horários flexíveis.

Algumas opções de trabalhos para um jornalista freelancer:

– Escrever artigos;
– Escrever matérias;
– Fazer reportagens;
– Escrever para um jornal, revista ou portais;
– Fazer releases;
– Elaborar pautas;
– Alimentar redes sociais;
– Criar newsletter;
– Escrever para blogs;
– Divulgar eventos;
– Produzir vídeos;
– Fazer podcasts;
– Palestrar em faculdades;
– Etc.

As opções são muitas tudo depende do seu perfil, afinidade, interesse e (principalmente) conhecimento. Sabe aquelas aulas de fotografia que você quis faltar? Sabe aquela aula de edição de vídeo em que você dizia: “jornalista não edita”. Sabe aquela palestra sobre produção de podcast que você trocou pelo bar? Então, tudo isso pode (e provavelmente fará falta) na hora de arregaçar as mangas e trabalhar por si só.

Dicas para aperfeiçoar o seu trabalho

“Quem muito quer nada tem”

Quando se está começando um trabalho freelancer você precisa ter a humildade de aceitar os trabalhos que aparecerem, Veja bem, não estou dizendo aqui para menosprezar o seu trabalho, bem longe disso. Precisa sempre conhecer o seu potencial e colocar isso em xeque toda vez que for procurar ou aceitar uma proposta. Só que não precisa querer começar por uma Revista Super Interessante, Exame ou Carta Capital. Também não precisa só ter em mente jornais grandes como Folha de São Paulo ou Estadão. Que tal visitar e conhecer os jornais e revistas de bairro? De repente, a oportunidade de trabalho mora ao lado. Só é preciso estar atento aos sinais.

Diversifique sua área de mercado

Como comentei lá em cima é muito importante que um jornalista seja capaz de realizar diversas funções e afinidades. Seja um bom escritor, saiba tirar umas fotos, aprenda editar vídeos. Quanto mais você souber, mais terá para oferecer.

Invista em aperfeiçoamento

Palestras, cursos, workshop’s, oficinas, todas essas opções são benéficas em termos de adquirir novos conhecimentos. Buscar coisas novas, realizar passeios diferentes, conversar com outras pessoas, experimentar algo pela primeira vez, esses exemplos (embora simplistas), são só para ilustrar que você precisa estar sempre em movimento, nunca parar em um local só, ou seja, querer escrever só sempre a mesma coisa. Sair da zona de conforto pode resultar em um texto maravilhoso. Mais que isso, um amadurecimento profissional e um toc na cuca da sua curiosidade.

Escreva sobre tudo

Passar por editorias diferentes será muito bom para enriquecer sua escrita e seu texto no geral. Mesmo que tenha mais afinidade com esse ou aquele tema (ao menos no começo), ouse escrever sobre algo novo.

Portfólio é sinônimo de vitrine

Não adianta escrever textos maravilhosos e deixar guardado numa pastinha do seu computador onde só você vê. É necessário se mostrar para o mundo. Criar um portfólio online é o mais ideal. Separe os melhores textos, exponha-os. Lembre-se: “Posto. Logo existo”.

O bom e velho networking

Escreveu sobre várias categorias? Reuniu os melhores textos em um blog ou site? É hora de ativar sua rede de contatos. Pode ser professor, palestrante, colega de classe, não importa. Quanto mais pessoas visualizarem o seu trabalho, mais chances você tem de ser notado e consequentemente ter alguém interessado no seu trabalho. Quem não é visto, não é lembrado.

Quanto eu devo cobrar?

Essa talvez seja a dúvida mais frequente entre os profissionais freelancers. Um meio termo entre algo que valorize o seu trabalho e seja viável pelo empregador se faz necessário. Os valores variam muito entre a teoria (Sindicato dos Jornalistas) e a prática, mesmo assim, deixo uma tabela abaixo com preços razoáveis. O importante mesmo é que tanto você quanto o empregador consigam estar satisfeitos com os valores combinados.

10 a 15 reais: Textos entre 300 e 500 palavras
15 a 20 reais: Textos entre 500 e 1.000 palavras
20 a 30 reais: 1.000 e 1.300 palavras
30 a 50 reais: 1.500 palavras
50 a 100 reais: até 2.000 palavras

Se você for especialista em algum tema, vale a pena, dobrar os valores.

Na dúvida, arrisque. Escreva, cria, tente. O máximo que você pode perder é tempo, mas nem isso acontecerá. Ao escrever está aperfeiçoando sua escrita, pesquisando, pensando, ocupando a cabeça. Como eu sempre gosto de brincar entre amigos: “Em tempos de crise jornalista que tem freela já é rei”.

Boa sorte, amigos!

Por Regine Luise

Perfil da autora

Regine-Luise

Ama, doa, sonha, dramatiza, sorri, chora e escreve. Não necessariamente nessa ordem. Jornalista, metade escritora, metade poeta. Membro da Academia Popular de Letras do ABC e atualmente professora auxiliar de Comunicação da USCS – Universidade Municipal de São Caetano do Sul.

Contato: [email protected]

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