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Jornalismo imparcial até a página dois

William Bonner e Patrícia Poeta durante entrevista a presidente Dilma. Foto: Reprodução/TV Globo
William Bonner e Patrícia Poeta durante entrevista a presidente Dilma. Foto: Reprodução/TV Globo

Quem acompanhou as entrevistas feitas aos candidatos a Presidência da República, no Jornal Nacional, pelos jornalistas William Bonner e Patrícia Poeta, com certeza ficou em dúvida em quem deveriam prestar mais atenção.

Seria mais interessante se concentrar nas respostas dos eleitos ou analisar a forma incisiva com que os âncoras da casa conduziram a entrevista?

Mas, afinal de contas, o jornalista tem o direito de expor a sua opinião ou não? Sim. Não. Talvez.

Acredito que esse direito se faz presente na figura de um colunista e/ou comentarista especializado em justamente contar uma história emitindo o que pensa, acha (ou quem sabe), até sente.

As entrevistas feitas com Aécio Neves e o Eduardo Campos (recentemente morto em um acidente de avião) não foram nem de longe tão polêmicas e tão (interrompidas) como com a atual presidente Dilma Rousseff.

Um artigo divulgado na Sala da TV afirma com veemência que a candidata do PT à reeleição foi interrompida 21 vezes ao longo dos 15 minutos e 52 segundos que durou a entrevista no total.

Com interrupções e perguntas duras, Bonner, colocou Dilma contra a parede (que felizmente ou infelizmente), conseguiu sair pela tangente e escorregou de um lado para o outro como uma boa saboneteira.

Alguns elogiaram a postura de Bonner, outros criticaram. Se nem Jesus agradou a todos, como um jornalista faria com isso com gregos, troianos, petistas e etc?

Atento aos comentários na internet, William Bonner se manifestou de forma categórica: “Jornalista que não é incisivo com o entrevistado vira assessor de imprensa”.

Diante disso, deixo aberto o debate:

Será que realmente existe o jornalismo imparcial? Ou só somos imparciais até a parte que (o emprego) nos convém?

Eu, particularmente, tenho minhas dúvidas quanto ao posicionamento dos apresentadores. Já que para uns candidatos se comportaram de uma forma e para outros (visivelmente) de outra.

Acho que o jornalista está ali para representar o povo ao perguntar e tentar descobrir o que todos querem saber. Mas não sei se isso necessariamente dá o direito do jornalista ser ofensivo. Provavelmente não. Até onde eu sei, esse é um espaço para os candidatos expressarem suas opiniões. Eles foram treinados e preparados para isso. Não para um abate.

Por Regine Luise.

Perfil de Regine Luise

Regine Luise

Ama, doa, sonha, dramatiza, sorri, chora e escreve. Não necessariamente nessa ordem. Jornalista por profissão, poeta de coração. Prazer, Regine Luise.

Contato: [email protected]

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2 COMENTÁRIOS

  1. Belo texto e ótima análise. Acredito que em um momento como este do JN o problema de expôr opiniões e etc é que não vão conseguir ser iguais, com todos os candidatos e ai gera injustiça com um ou com outro. Eu apostaria em mais imparcialidade.

  2. Sinceramente não existe jornalismo imparcial. Isso independente do profissional ou do veículo, as escolhas feitas respondem a uma série de interesses políticos, corporativos e econômicos. O que faltou nessa entrevista foi algo um pouco deixado de lado por muitos profissionais da imprensa em geral, conhecido por ÉTICA. Bonner e Poeta não fizeram um entrevista e sim inqueriram Rousseff, algo que não cabe a eles. Esta ideia levantada por você de “Acho que o jornalista está ali para representar o povo ao perguntar e tentar descobrir o que todos querem saber”. O jornalista não é representante de ninguém e esse é o cerne do perigo, ao achar isso enaltece-se atitudes como a de Bonner e tantos outros. “O que todos querem saber” é muito complexo uma vez que não temos como calcular a mentalidade individual de cada um. Quando na verdade a imprensa é nada além de um veículo a serviço não do todo, mas de determinados grupos respondendo a suas necessidades, isso em qualquer parte do planeta. Contudo problematicamente no Brasil onde apenas onze famílias detém o domínio dos meios de comunicação de massa entre eles podemos citar Marinho, Macedo, Saad, Abravanel, Civita, Frias Filho, Mesquita. Sabemos seus interesses envolvidos e dos grupos ao qual são representantes, lhe garanto que não é população em sua diversidade sócio-econômica-cultural. Enfim a imparcialidade que faltou nessa entrevista está na ética, ou seja, ele não estava ali para inquerir a candidata e sim saber suas propostas, a entonação violenta e inquisitorial de Bonner e Poeta me assustou e parte disso e essa ovação nacional vem dessa ideia de jornalista como representando do povo, só que esse não é seu papel. Fazem denúncias sim, mas neste caso é o jornalismo investigativo, e não de entrevistas eleitorais. Demonstrando como nossa democracia sempre está por um fio, uma vez que o veículo aplaudido em questão está envolvido em um escândalo fiscal de sonegação de impostos, esteve envolvido diretamente com a Ditadura Civil-Militar, manipulou a entrevista de Lula em 1989 para que perdesse apoio popular, enfim este veículo não é nem de longe idôneo, como então podemos acreditar em uma imprensa livre e imparcial?

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