Jornalismo Investigativo é redundância?

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Muitos acreditam que o jornalismo investigativo é uma espécie de editoria jornalística. Todavia isso pode ser um engano. Na verdade, todo jornalismo é – ou deveria ser – investigativo em sua essência, pois a pesquisa e a checagem de dados e fatos são elementos básicos para a formulação de qualquer notícia. Portanto, jornalismo investigativo seria quase uma redundância.

Mesmo assim, criou-se o hábito de que esse jornalismo seria mais específico, voltado para a divulgação de informações que envolvam atividades ilícitas e que, normalmente, necessitam de mais tempo para checagem de fatos e maior sigilo, podendo até gerar riscos para a vida do jornalista.

Exemplos de jornalismo investigativo há aos montes e costumam envolver figuras públicas ou o dinheiro público. Diversos jornalistas brasileiros publicaram livros e reportagens independentes denunciando atos criminosos ou omissão de governos, autoridades públicas e partidos.

O jornalista Caco Barcellos é um exemplo. Em seu livro “Rota 66 – A história da Polícia que mata”, publicado em 1992, denunciou as atitudes arbitrárias de policiais militares que desrespeitavam os direitos humanos e o verdadeiro ofício de proteger a sociedade ao assassinarem civis que supostamente estavam envolvidos em crimes; suspeitas que nunca chegaram a ser comprovadas.

No jornalismo investigativo político, temos os exemplos de Reinaldo Azevedo, com os livros “O País dos Petralhas” e o “País dos Petralhas II”, em que critica, através de textos publicados em importantes veículos brasileiros, os anos de governo petista, dando significação para o termo “Petralhas”: “neologismo criado da fusão das palavras “petista” e “metralha – dos “Irmãos Metralha”, sempre de olho na caixa forte do Tio Patinhas. Um petralha defende o “roubo social”.

Em contrapartida, Amaury Ribeiro Junior publicou o livro “A Privataria Tucana” em que denuncia, com a demonstração de documentos, os negócios ilegais feitos pelo governo do PSDB na época das privatizações. Há ainda o jornalismo investigativo informativo, como no caso da extensa reportagem – transformada em livro – do jornalista Carlos Amorim. Em “Comando Vermelho – A história do crime organizado”, o jornalista relata como e quando surgiram as principais facções criminosas do Brasil.

Considerando a relevância e o aprofundamento dessas informações, é que esses temas se transformaram em reportagens e são considerados jornalismo investigativo, pois exigiu-se que os autores fossem muito além da pesquisa básica para compor um lide. Foi necessário que fizessem um trabalho de detetive para chegar até fontes confiáveis e que detinham informações e documentos imprescindíveis para comprovar a veracidade dos fatos relatados.

Enfim, todo jornalismo precisa ser investigativo, seja para uma notícia, um artigo, um documentário, um livro ou uma reportagem. Porque é a investigação que possibilita ao jornalista contar um fato o mais próximo possível da realidade, dando credibilidade ao seu trabalho. Ainda assim, pelo seu cunho mais perigoso, o jornalismo investigativo costuma fazer referência a assuntos mais polêmicos, públicos e que contestem a realidade incutida por determinada pessoa ou organização, mas que não correspondem à ações lícitas.

Por Andreza Galiego

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Andreza Galiego é jornalista recém-formada à procura do emprego dos sonhos e de uma pós-graduação. Aos 20 e poucos anos, ainda vê a profissão como um meio de mudar o mundo, o próprio e o dos outros. Tem mania de discordar e gosta de pessoas estranhas. Estuda todo tipo de assunto que consegue no período em que está acordada, mas na maioria das vezes faz tudo dormindo mesmo. Escreve também no blog Jornalista sem Pauta. No dia 2 de março de 2013 achou incrível o convite para escrever no Casa das Focas. Agora, um ano depois, não vê a hora de parar. Brincadeira. Está cada vez mais agradecida por fazer parte desse espaço incrível e contribuir para o “descobrimento do jornalismo”.

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