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Jornalismo Investigativo é redundância?

Todo jornalismo é – ou deveria ser – investigativo em sua essência, pois a pesquisa e a checagem de dados e fatos são elementos básicos para a formulação de qualquer notícia.

Foto: Pixabay.

Muitos acreditam que o jornalismo investigativo é uma espécie de editoria jornalística. Todavia isso pode ser um engano. Na verdade, todo jornalismo é – ou deveria ser – investigativo em sua essência, pois a pesquisa e a checagem de dados e fatos são elementos básicos para a formulação de qualquer notícia. Portanto, jornalismo investigativo seria quase uma redundância.



Mesmo assim, criou-se o hábito de que esse jornalismo seria mais específico, voltado para a divulgação de informações que envolvam atividades ilícitas e que, normalmente, necessitam de mais tempo para checagem de fatos e maior sigilo, podendo até gerar riscos para a vida do jornalista.

Exemplos de jornalismo investigativo há aos montes e costumam envolver figuras públicas ou o dinheiro público. Diversos jornalistas brasileiros publicaram livros e reportagens independentes denunciando atos criminosos ou omissão de governos, autoridades públicas e partidos.

Foto: Reprodução.

O jornalista Caco Barcellos é um exemplo. Em seu livro “Rota 66 – A história da Polícia que mata”, publicado em 1992, denunciou as atitudes arbitrárias de policiais militares que desrespeitavam os direitos humanos e o verdadeiro ofício de proteger a sociedade ao assassinarem civis que supostamente estavam envolvidos em crimes; suspeitas que nunca chegaram a ser comprovadas.



No jornalismo investigativo político, temos os exemplos de Reinaldo Azevedo, com os livros “O País dos Petralhas” e o “País dos Petralhas II”, em que critica, através de textos publicados em importantes veículos brasileiros, os anos de governo petista, dando significação para o termo “Petralhas”: “neologismo criado da fusão das palavras “petista” e “metralha – dos “Irmãos Metralha”, sempre de olho na caixa forte do Tio Patinhas. Um petralha defende o “roubo social”.

Foto: Reprodução.

Em contrapartida, Amaury Ribeiro Junior publicou o livro “A Privataria Tucana” em que denuncia, com a demonstração de documentos, os negócios ilegais feitos pelo governo do PSDB na época das privatizações. Há ainda o jornalismo investigativo informativo, como no caso da extensa reportagem – transformada em livro – do jornalista Carlos Amorim. Em “Comando Vermelho – A história do crime organizado”, o jornalista relata como e quando surgiram as principais facções criminosas do Brasil.

Foto: Reprodução.

Considerando a relevância e o aprofundamento dessas informações, é que esses temas se transformaram em reportagens e são considerados jornalismo investigativo, pois exigiu-se que os autores fossem muito além da pesquisa básica para compor um lide. Foi necessário que fizessem um trabalho de detetive para chegar até fontes confiáveis e que detinham informações e documentos imprescindíveis para comprovar a veracidade dos fatos relatados.



Enfim, todo jornalismo precisa ser investigativo, seja para uma notícia, um artigo, um documentário, um livro ou uma reportagem. Porque é a investigação que possibilita ao jornalista contar um fato o mais próximo possível da realidade, dando credibilidade ao seu trabalho. Ainda assim, pelo seu cunho mais perigoso, o jornalismo investigativo costuma fazer referência a assuntos mais polêmicos, públicos e que contestem a realidade incutida por determinada pessoa ou organização, mas que não correspondem à ações lícitas.

Por Andreza Galiego

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