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O grátis sai caro

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Foto: Pixabay
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O jogo começou em 2007. E não parou mais. Naquele ano o jornal The New York Times foi disponibilizado online gratuitamente para os seus leitores. À princípio não se precisaria pagar pelo acesso ao conteúdo do jornal. Logo depois foi a vez do Wall Street Journal que usava um modelo inteligente, híbrido, que dava acesso às notícias gratuitamente à pessoas que quisessem compartilhá-las online e iam parar em blogs, ou outras mídias sociais. O que se seguiu foi uma tentativa de cobrar pelas reportagens, entrevistas, comentários especiais. Seria uma forma da empresa bancar o grátis com os novos assinantes online. Em alguns veículos até que o número não foi desprezível, mas o faturamento estava muito distante das receitas geradas pela publicidade. Esta vinha suportando as empresas jornalísticas dede os século 19. Contudo as verbas publicitárias começaram a minguar em uma constante que deixou de cabelo em pé, acionistas, gestores e jornalistas. Estes ameaçados de perder o emprego com o sistemático enxugamento que as redações sofreram. Muitos veículos pelo mundo fecharam as portas, alguns tradicionais como jornais e revistas. Atualmente mais de um terço da humanidade está produzindo a própria informação e compartilhando–a por meio de vídeos, textos e áudios. Sem a intermediação de jornalistas.

O dilema era migrar ou não totalmente para o online. Ou coexistir as plataformas enquanto fossem possíveis. A Internet se misturou em tudo. Jornais, revistas, rádios, tevês agregaram a plataforma e passaram a competir com outros sites que viviam só no online. A confluência das mídias ficou evidente, o site de um jornal centenário, passou a exibir a sua tevê, rádio, e todas as ferramentas de compartilhamento e interatividade. Foi e é um turbilhão ainda mal digerido pela mídia contemporânea. É muito mais do que dizer que a plataforma de tinta e papel vai acabar. Aparentemente as notícias são grátis, ninguém precisa pagar para ter acesso ao que é básico, mas de uma forma diferente do financiamento das tevês e rádios abertas. A gratuidade está sendo abastecida pelas tecnologias da era digital. As empresas de comunicação estão desenvolvendo atividades econômica marginais, para bancar o que, aparentemente, é o seu principal produto. Ela entrega a notícia mas enche a página de pop ups, banners, ofertas de vendas online, links de toda sorte para outros produtos sub-repticiamente anunciados. Assim como as operadoras de telefonia tentam vender outros produtos como, por exemplo, mensagem de texto. Aí está o lucro e não na venda de chamadas telefônicas. O custo é praticamente zero.

No passado se dizia que os veículos de comunicação vendiam a audiência aos anunciantes. A publicidade bancava os custos e os lucros das empresas. Com o advento do mundo dos bits tudo ficou de pernas para o ar. Os gerentes de marketing, mídias, agências de publicidade correm de um lado para o outro sem saber exatamente onde está o norte do faturamento. A tecnologia contemporânea tem quebrado paradigmas e não há como remendá-los. O que aconteceu com a locadora de filmes favorita? Sucumbiu ao Netflix e assemelhados. E os milhões de long plays, cds, DVDs dos grandes ídolos da música em todo mundo? Sumiram, uma boa parte das músicas estão à disposição em vários ambientes do novo ecossistema, entre eles o YouTube. Portanto o artista disponibiliza suas músicas de graça e tenta faturar nos shows, artigos promocionais, licenciamentos e outros itens pagos. Economia marginal, como diz Chris Anderson. Um número crescente de autores de livros está disponibilizando-os por um preço camarada, ou até mesmo de graça. O jogo continua.

Por Heródoto Barbeiro

Perfil de Heródoto Barbeiro

Heródoto Barbeiro

Heródoto Barbeiro é jornalista, âncora do Jornal da Record News e do R7, diariamente as 21h. Ex-apresentador do Roda Vida da TV Cultura e do Jornal da CBN. Autor de vários livros na área de treinamento, história, jornalismo e budismo.

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