InícioEntrevistas"O jornalismo existe para servir a sociedade", ressalta a repórter Veruska Donato

“O jornalismo existe para servir a sociedade”, ressalta a repórter Veruska Donato

Em entrevista exclusiva para a Casa dos Focas, a repórter da TV Globo, Veruska Donato, contou a sua história no jornalismo e deu conselhos preciosos para os focas que sonham em algum dia trabalhar no telejornalismo.

Nascida em Campo Grande (MS), Veruska Donato se formou na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) aos 22 anos. Segundo a jornalista, foram as experiências acumuladas no início de sua carreira, quando atuou em todas as afiliadas de TV da cidade, que lhe ajudaram a chegar onde está hoje em dia.

Aos 24 anos se mudou para Brasília onde montou o escritório da afiliada da Globo. Ela também trabalhou na Imprensa Oficial, acompanhou as viagens do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a CPI no Congresso, e começou a apresentar jornal. Foi chamada para São Paulo pela TV Globo no ano de 2002, onde permanece até hoje. Ela também foi editora, apresentadora, mas nunca deixou de fazer o que mais ama: reportagem.

Foto: Acervo pessoal

Os desafios da reportagem

Recordando de sua trajetória no jornalismo, Veruska destaca o quão difícil era ser repórter em tempos em que a internet e a tecnologia ainda não eram tão desenvolvidas. “Com poucos recursos, quase nada de experiência, a gente tinha que se virar pra fazer um bom material, não tínhamos internet, nem celular, as ligações para a redação eram feitas da rua, do orelhão. São tantas histórias que só um livro para contar todas’’, afirmou.

A repórter diz que seu maior desafio no jornalismo foi Brasília, pois até então, Veruska não possuía nenhum conhecimento de política ou leis, e teve que aprender na marra. “Eu havia acabado de sair da minha cidade que, apesar de ser capital, era pequena e com cara de interior. Era uma enxurrada de assuntos e denúncias, que nós jornalistas tínhamos que ter a rapidez e o faro para apurar em tempo real, sem a ajuda da internet. Foi difícil”, confessa.

Entretanto, na sua opinião, a reportagem sobre a cassação do ex-senador Luiz Estevão foi a mais importante que ela fez até o momento. Isso “porque eu não estava habituada a esse tipo de cobertura e por se tratar do primeiro senador cassado da história do país. Tiveram outras como os ataques do PCC em 2006, e agora a pandemia. Você ter que contar mortos para mostrar a gravidade de uma situação é sempre dramático”.

Foto: Acervo pessoal

Competências renovadas constantemente

Veruska alerta que devemos procurar entender o que o mercado está buscando e a estarmos atentos às novas competências exigidas na área. “Quando comecei eu tinha a competência que as empresas procuravam, que era fazer um bom ‘ao vivo’ e falar minutos e minutos sem errar, e com credibilidade, com o tempo esses talentos foram sendo absorvidos pelas novas gerações de jornalistas que iam chegando ao mercado, e eu precisei de novas competências. Hoje, a minha capacidade de resolver conflitos rapidamente, e a forma como eu me identifico com os entrevistados me ajudam a ser a repórter da qual me orgulho”.

Seu sonho no jornalismo é ter um programa sobre emprego e empreendedorismo. Como parte desse caminho, a repórter possui uma página no Instagram chamada @temtrabalho através da qual ajuda muitas pessoas a encontrarem seu espaço no mercado de trabalho. Ali ela dá dicas sobre como lidar com as exigências em vagas de estágio, desigualdade em disposições de vagas para pessoas acima dos 40 anos, entre outros assuntos.

Foto: Acervo pessoal

Dicas para os estudantes de jornalismo

Aos focas que desejam um dia poder dizer “Mãe, estou na Globo!”, a jornalista global indica o ‘programa estagiar’, que atualmente é a principal porta de entrada para a emissora. “Entrar é difícil, mas permanecer é ainda mais duro. É preciso trabalhar incansavelmente, não esmorecer nunca e manter as fontes sempre por perto”, assegurou.

A dica de ouro que Veruska Donato deixa para os focas é “que vocês nunca se esqueçam de que o jornalismo existe para servir a sociedade, e é nela que devemos pensar primeiro antes de conduzir uma reportagem. Façam as perguntas certas: Essa cobertura vai ajudar alguém? Quem? O que essas pessoas precisam saber? Como meu trabalho pode ajudar a encontrar uma saída para o problema? Como essa pessoa gostaria de se ver retratada na reportagem? O que ela tem a dizer? Qual a mensagem que ela quer passar? Se vocês conseguirem responder algumas dessas perguntas, então encontraram o caminho certo”.

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Sandhy Galicia
19 anos, graduanda em jornalismo pela Universidade Nove de Julho, escritora nas horas vagas e apaixonada por questões sociais e política.
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