Onde encontrar uma boa história para escrever?

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(Foto: Pixabay)

Pare sempre para pensar e pense sempre sem parar. Mais que um jogo de palavras, esse é o caminho para quem quer descobrir os segredos do mundo, os caminhos da vida. Olhe para o céu, olhe para a frente, olhe para os lados, olhe para o chão e pense em cada detalhe que você viu. Pense nas estrelas, na lua, nas nuvens. Que diabos fazem as nuvens penduradas lá no céu? Quem as segura lá? E essa lua prateada e envolvente que tantas paixões despertou em tanta gente e em tantos poetas? O que faz a lua nesse contexto todo? Aposto que milhões de pessoas gostariam de ouvir explicações sobre essas questões que aparentemente não passam de grandes bobagens. Cultura inútil, como dizem os inúteis. Cultura nunca é inútil. Inútil é não pensar.

Mas, falando em pessoas, quem são essas pessoas que estão ao seu lado? O que fazem? Do que vivem? Como vivem? Quais suas expectativas, seus gostos, desejos, vontades? Quem são? repito. Pois o seu companheiro de classe pode ser uma grande história que merece ser contada. Cada um de nós é uma grande história porque, apesar de sermos todos absolutamente iguais, somos todos totalmente diferentes. O que nos remete à conclusão de que o mundo tem, no mínimo, 7 bilhões de histórias para se contar. Precisa mais que isso para acabar com essa história de que você não tem histórias para contar?

(Foto: Pixabay)

Para não ir longe, lembro a história do menino sobrevivente do último tremor de terra na Índia. Perdeu pais, irmãos, ficou uma semana soterrado, tinha tudo para morrer e foi salvo. Quanta coisa esse menino teria para contar dessa sua triste aventura. Fico arrepiado só em pensar na possibilidade de escrever ou ler essas tantas histórias. E você não tem histórias? E não fica arrepiado com histórias?

Arrepiado. Que bobagem é essa de professor ficar arrepiado? Não se trata de bobagem: é isso mesmo. Arrepiar é a palavra mais certa. O bom tema, a boa história começa obrigatoriamente arrepiando o seu criador, o seu autor, seu contador. Toda boa história tem que emocionar as pessoas. Tem que arrepiar. Toda vez que você não gostar de uma ideia ou de uma história que caiu em suas mãos, desista dela. Se você não se apaixonou, se você não se arrepiou com sua história, os outros nem vão querer saber do que você tem para contar.

Mas você não precisa ir até à Índia para encontrar uma boa história. Ela também pode estar com o motorista ou com o cobrador do ônibus em que você viaja. Pense, rumine. Você acha que é fácil a vida deles? Dirigir ou trabalhar como cobrador de ônibus no trânsito de São Paulo? Andar pela madrugada nas ruas escuras da periferia, aonde até a polícia só vai se for com a polícia junto?

Converse com o motorista, bata um papo com o cobrador. Procure entrar em sua alma. Procure se sentir um deles. Cate tudo, beba tudo, raspe o pote da emoção de seus entrevistados. Complete a sua matéria com os medos da polícia, com o lado social e psicológico do problema, através de informações de profissionais ou técnicos nessas questões. Ouça os receios das famílias que, quando os veem sair para o trabalho, ficam na incerteza de sua volta sãos e salvos. Onde vive essa gente? Como vive? Quanto ganha? Isso é viver ou sobreviver? Conte. Denuncie, se for o caso.

Será que você não tem mesmo sobre o que escrever? Claro que tem. E por mais que você escreva, por mais temas que aborde, ainda assim vai ficar devendo. E muito. Porque as histórias são como a água, nunca param de jorrar. Já pensou nisso? Então pense. Porque é pensando que se chega a grandes conclusões. Ou confusões. De qualquer forma, entre conclusões e confusões, você tem a história para contar.

Fique certo de uma coisa: nada cai do céu além da chuva e de alguns aviões de carreira. Muito menos a boa reportagem.

Por Edgard de Oliveira Barros

Perfil de Edgard de Oliveira Barros

Edgar de Oliveira Barros

O professor Edgard de Oliveira Barros está há 40 anos no jornalismo, tendo iniciado sua carreira na redação dos Diários e Emissoras Associadas, a maior cadeia de jornais, emissoras de rádio e de televisão que o Brasil já teve.

É bacharel em Direito pela Universidade Mackenzie, foi repórter de jornais Associados, tendo trabalhado também nas extintas rádio Difusora e TV Tupi. No meio do caminho teve a Propaganda e Edgard trabalhou na MPM Propaganda, para depois fundar a sua própria empresa de publicidade, através da qual ganhou vários prêmios.

Durante 10 anos foi diretor de redação do extinto Diário Popular. Deixando o Diário Popular começou a dar aulas na FACOM/UniFIAM no ano de 1986.

Criou o jornal Imprensa Livre na cidade de Atibaia, com circulação regional. Semanário, o jornal passou a diário tendo inclusive implantado seu próprio parque gráfico com modernas rotativas. Trabalhava no mínimo 18 horas por dia e todos os dias. Cansou.

E faltou dinheiro. Parou o jornal e voltou a dar aulas, sua paixão, na FIAM. Publicou três livros de crônicas e um livro-manual de Jornalismo dedicado aos alunos da escola: Quem? Quando? Como? Onde? O quê? Por quê?.

Acompanhe os textos do Professor Edgar publicados na página Mixtura Fina.

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