InícioMestres ensinamRegras básicas para uma pauta

Regras básicas para uma pauta

Pauta

a) Regra básica: graças a Deus não existem regras básicas para se criar ou elaborar uma pauta.

b) A pauta é o sonho da boa matéria. O texto, a reportagem, o produto da pauta enfim é a realidade.

c) O sonho tem o tamanho do mundo. A realidade é limitada.

d) Ou seja, no sonho você viaja por mares e ares nunca navegados. A realidade impõe algumas fronteiras. Às vezes muito sérias.

e) Sendo assim, para começo de conversa, quando tiver que fazer uma pauta verifique se ela é viável. Se o assunto pode realmente se transformar em uma boa reportagem.

f) Elaborar uma pauta é sintetizar ou sistematizar o sonho ou a ideia que se teve. É viabilizar o tema. É elaborar um projeto. Criar um roteiro a ser seguido, como se a gente fosse fazer um grande filme. Já se viu que tudo no mundo pode se transformar em uma boa história, uma excelente reportagem. Se você estiver sem assunto olhe para o lado. Seu colega pode ser a grande história que você quer contar. Já vimos esse filme, não vimos?

g) Todos os temas são infinitamente amplos, ou seja, podem ser vistos por milhares de ângulos ou podem receber milhares de enfoques.

h) A partir do momento que você escolheu o tema, procure fazer a angulação desse tema. Analise corretamente o ponto de vista pelo qual você quer desenvolver esse tema. A angulação passa pelo tipo de veículo para o qual se destina a reportagem. Se é para jornal, se é para rádio, TV, revista ou internet. Ou até mesmo para um filme.

i) A angulação é fundamental para se ver como o tema terá que ser tratado. Se a publicação é popular, se é técnica, se é dirigida, coisas dessa ordem. Os assuntos têm que ser pertinentes ao veículo onde serão divulgados.

j) Feita a angulação, determinado o enfoque do tema, comece a pensar como você vai desenvolver a história. Vão surgir milhões de perguntas em sua cabeça. O que se deve falar sobre o assunto escolhido?

k) Jornalista é o sujeito mais curioso do mundo. Presumivelmente ele sabe de tudo, no entanto, não entende de nada. Saber é uma coisa, entender é outra. Se ele sabe, mas não entende, tem que procurar quem entende. Quem entende? As fontes. Logo, quem vai falar, quem vai explicar, quem vai dar todas as dicas será a fonte. A fonte é que entende do assunto.

l) Dependendo do tal assunto, as fontes serão infinitas. Um cientista, um pesquisador, um tratador de cavalos, um mendigo, um padre, um técnico, um consumidor, um advogado, o médico, o curioso. As fontes serão pessoas ou instituições. A amplitude da sua criatividade e a sua necessidade é que determinará tantas e quantas fontes serão necessárias.

m) Relacione suas fontes, procure fazer um ligeiro perfil de cada uma delas. Quem são, por que são, como são, o que já fizeram, sua especialidade e sua ligação com o assunto que você vai enfocar. Onde elas podem ser encontradas. Vá sempre preparado com o máximo de perguntas que você vai apresentar para suas fontes.

n) Você já está cansado de saber que o mundo é curioso e o repórter é o sujeito mais curioso do mundo que busca respostas para tanta curiosidade. Assim, quanto mais perguntas você fizer, mais respostas terá. Quanto mais respostas tiver, mais respostas poderá oferecer em seu texto, sua matéria, sua reportagem. E o seu leitor vai pensar: esse é o cara… Lembre-se que não existem perguntas bobas, tolas, burras ou óbvias. A curiosidade não tem limite. A função do repórter é ser curioso, é perguntar para ouvir respostas para o seu texto.

o) No meio desse contexto todo procure descrever, historiar o seu sonho, seu desejo de desenvolver o tema que você tem na cabeça, o assunto que você escolheu. Procure explicar, para você mesmo, nos mínimos detalhes, os porquês a serem abordados na matéria. Por que você quer escrever sobre o assunto. Conte isso nos mínimos detalhes. Perguntando para você mesmo e explicando, para você mesmo, você vai encontrar o enfoque certo, o tom certo para a sua reportagem. Explique tudo, analise tudo, justifique, enlouqueça a sua ideia, coloque tudo isso em texto limpo antes de sair para materializar tudo.

p) Insistindo, além de uma ordem de serviço, um planejamento de trabalho, a pauta é um verdadeiro roteiro. Imagine que você esteja fazendo um filme. Mostre na pauta o cenário que está na sua cabeça. Mostre tudo o que você está vendo. Cada detalhe, cada item, cada personagem e o porquê eles estão presentes ali. Você vai transformar o seu sonho, o filme que você tem na cabeça em realidade. Então, você é obrigado a projetar cada minuto, cada segundo desse sonho.

q) Quanto mais completa e vigorosa for uma pauta melhores serão os seus resultados. Uma pauta pode ser escrita em uma lauda, em dez laudas ou ter o tamanho do livro, pois ela precisa e deve ser clara e minuciosa ao extremo. 99% das vezes a pauta é muito mais completa que a reportagem. Significa dizer que quando você tem uma pauta bem feita, já tem 90% da reportagem pronta.

r) Diante de tudo o que foi escrito, acredito que, daqui para a frente você já tem pelo menos 10% de condições de elaborar uma boa pauta. Tente.

Por Professor Edgar de Oliveira Barros

Perfil de Edgar de Oliveira Barros

Edgar de Oliveira Barros

O professor Edgard de Oliveira Barros está há 40 anos no jornalismo, tendo iniciado sua carreira na redação dos Diários e Emissoras Associadas, a maior cadeia de jornais, emissoras de rádio e de televisão que o Brasil já teve.

É bacharel em Direito pela Universidade Mackenzie, foi repórter de jornais Associados, tendo trabalhado também nas extintas rádio Difusora e TV Tupi. No meio do caminho teve a Propaganda e Edgard trabalhou na MPM Propaganda, para depois fundar a sua própria empresa de publicidade, através da qual ganhou vários prêmios.

Durante 10 anos foi diretor de redação do extinto Diário Popular. Deixando o Diário Popular começou a dar aulas na FACOM/UniFIAM no ano de 1986.

Criou o jornal Imprensa Livre na cidade de Atibaia, com circulação regional. Semanário, o jornal passou a diário tendo inclusive implantado seu próprio parque gráfico com modernas rotativas. Trabalhava no mínimo 18 horas por dia e todos os dias. Cansou.

E faltou dinheiro. Parou o jornal e voltou a dar aulas, sua paixão, na FIAM. Publicou três livros de crônicas e um livro-manual de Jornalismo dedicado aos alunos da escola: Quem? Quando? Como? Onde? O quê? Por quê?.

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