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Significado político da manipulação na grande imprensa

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O jornalista Perseu Abramo em sua obra “Padrões de manipulação na Grande Imprensa” nos faz entender um pouco mais sobre como desvendar o fantasma da manipulação. Como pensar e apenas dizer não ao que promovem todos os dias em noticiários por vezes de pauta duvidosa. A mídia tem lado? De qual ela está? Devemos tomar partido? Será que o jornalismo é mesmo imparcial como devemos acreditar? Segundo Perseu, a realidade é outra.

Antes de ler um trecho do livro deste mestre do jornalismo, vamos conhecer um pouco sobre o que é a manipulação da informação e como ela pode ser exercida.

A manipulação da informação é referência indireta à realidade, mas que distorce esta realidade, ou seja não corresponde ao objetivo real. A manipulação se transforma em manipulação da realidade.

1- Padrão de Ocultação

É o padrão que se refere a ausência e a presença dos fatos reais na produção da imprensa. Não se trata evidentemente de fruto do descobrimento, nem mesmo da mera omissão diante do real. É ao contrário, um deliberado silêncio militante sobre determinados fatos da realidade. Esse é um padrão que opera nos antecedentes, nas preliminares da busca da informação. Isto é, no momento das decisões de planejamento de edição, da programação ou da matéria particular daquilo que a imprensa chama de pauta. O padrão de ocultação é decisivo e definitivo na manipulação da realidade: tomada a decisão de que um fato “não é jornalístico”, não há a menor chance de que o leitor tome conhecimento de sua existência através da imprensa. O fato real foi eliminado da realidade, ele não existe.

O fato real ausente deixa de ser fato real para se transformar em imaginário. E o fato presente na produção jornalística, real ou ficcional, passa a tomar o lugar do fato real, e a compor assim uma realidade diferente da real, artificialmente criada pela imprensa.

2- Padrão de Fragmentação

Eliminados os fatos definidos como não jornalísticos o “resto” da realidade é apresentado pela imprensa ao leitor não como uma realidade, com suas estruturas e interconexões, sua dinâmica e seus movimentos e processos próprios, suas causas, condições, e consequências. O todo real é estilhaçado, despedaçado, fragmentado em milhões de minúsculos fatos particularizados, na maior parte dos casos desconectados entre si, despojados do seu vínculo com o geral, desligados de seus antecedentes e de seus consequentes no processo em que ocorrem.

Perseu Abramo
Perseu Abramo

Em seguida temos um trecho do livro “Padrões de manipulação na Grande Imprensa” escrito por Perseu Abramo.

“Recriando a realidade à sua maneira e de acordo com os seus interesses político-partidários, os órgãos de comunicação aprisionam os seus leitores nesse círculo de ferro da realidade irreal, e sobre ele exercem todo o seu poder. O Jornal Nacional faz plim-plim e milhões de brasileiros salivam no ato. A Folha de S.Paulo, o Estado de S.Paulo, o Jornal do Brasil, a Veja dizem alguma coisa e centenas de milhares de brasileiros abanam o rabo em sinal de assentimento e obediência.”

A imprensa deve ter assuntos “tabus”? Pois é, vamos pensar!

Por Gabriela Peres.

Leia também:

– O que não pode ser debatido numa democracia?

– Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros

– Impresso e jornalismo prostituto

Perfil de Gabriela Peres

Gabriela Peres
Gabriela Peres estuda jornalismo pela universidade paulista UNIP em Campinas. Sempre teve a certeza de que jornalismo era a “sua profissão”. Crítica, exigente e sem papas na língua, adora escrever sobre assuntos de utilidade pública. Não é fã de repórteres e já negou trabalhos como Assessoria de imprensa de vereadores para não ter de tomar partido. Sabe que falar o que pensa é arriscado, afinal nem todos entendem. Fazer o quê? Pensar é causar. É colunista no Jornal Metropolitano de Campinas, dona do blog Nú e Crú e faz trabalhos como freelancer.

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Gabriela Peres
Estuda jornalismo pela universidade paulista UNIP em Campinas. Sempre teve a certeza de que jornalismo era a “sua profissão”. Crítica, exigente e sem papas na língua, adora escrever sobre assuntos de utilidade pública. Não é fã de repórteres e já negou trabalhos como Assessoria de imprensa de vereadores para não ter de tomar partido. Sabe que falar o que pensa é arriscado, afinal nem todos entendem. Fazer o quê? Pensar é causar. É colunista no Jornal Metropolitano de Campinas, dona do blog Nú e Crú e faz trabalhos como freelancer.
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