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Uma conversa com o jornalista Ivan Martins

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O jornalista Ivan Martins é editor executivo da Revista Época, onde também escreve uma coluna sobre comportamento e relacionamento. O primeiro contato com ele foi feito há cerca de um mês, por meio das redes sociais, pela estudante Regine Wilstom, que é estagiária na AJO – Agência Experimental de Jornalismo da USCS. Diante da receptividade do jornalista outros contatos ocorreram, até o agendamento da entrevista que você confere neste post.

– Sabe-se que você é editor executivo e colunista na Revista Época. Qual é a sua rotina de trabalho? Ou seja as suas funções?

Ivan Martins – Bem nós somos em quatro editores aqui, cada um cuida de uma parte da Revista Época. Eu cuido da parte de sociedade, que inclui comportamento, saúde, bem estar, moda, essas coisas.

– Sobre os textos da sua coluna, que você escreve às quartas-feiras, geralmente tem um “Q” de romantismo. Você acredita que isso acontece por quê?

Ivan Martins – Ah, talvez porque eu sou romântico (risos). Não é só isso, a proposta da coluna é essa, já que foi criada para falar sobre relacionamentos. Daí a gente vai tocar nessas coisas, esses sentimentos. Essa é a ideia desde o início. Porque eu sempre participava de conversas sobre esse assunto e não via na mídia nada que refletisse as minhas ideias e os meus sentimentos. Então, resolvi fazer uma coluna eu mesmo, para falar de relacionamento de uma forma que reflete a minha geração, as pessoas que eu conheço, o sentimento de um grupo de pessoas que estão por aí.

– De onde vem a inspiração para a criação desses textos?

Ivan Martins – Geralmente vem da observação e da conversa com as pessoas. Qualquer um que escreva vive um pouco disso. Das suas histórias, dos seus sentimentos, e da história e sentimentos dos outros. Quem escreve precisa observar o mundo e ficar atento quando for escutar o que as pessoas estão contando, conversando, ou até mesmo reclamando. As ideias surgem assim, eu estou conversando com alguém – ou alguém me conta uma história -, a gente começa debater e aí, de repente, me ocorre: Pô isso dá uma coluna hein! É uma coisa legal, vou escrever a respeito disso. Assim saem os meus textos, do meu cotidiano e dos outros.

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– Qual é a sua opinião sobre a decisão do STF que desobriga o diploma para o exercício do jornalismo?

Ivan Martins – Bem, eu fiz jornalismo como quase todo mundo. Me formei na turma de 1982 pela USP. Embora eu goste de pensar na ideia de as pessoas irem para a faculdade para estudar jornalismo, primeiro eu acho que as faculdades têm que melhorar muito. Segundo, talvez elas não devessem ser obrigatórias. Eu já conheci pessoas que não têm formação em jornalismo, mas escrevem textos excelentes, fazem trabalhos maravilhosos. Então, por que obrigar as pessoas a pagar pedágio? Por que ser obrigado a fazer jornalismo quando poderiam estar fazendo outras faculdades como História e Letras, que, na minha opinião, são cursos bem melhores.

– Você se considera uma pessoa:

Ivan Martins – Eu sou uma pessoa que tenta fazer as coisas direito.

– Sua citação predileta é:

Ivan Martins – Talvez seja a frase do jornalista Paulo Francis. “Perdi os melhores anos das vidas dos outros”… Eu tenho essa sensação frequentemente.

– Três características que definem um jornalista são:

Ivan Martins – A primeira de todas é curiosidade. O jornalista precisa ser uma pessoa curiosa. Segundo, ele precisa ser uma pessoa capaz de ter dúvidas. Pessoas com mais certezas do que dúvidas, no geral, não resultam num bom jornalista. E terceiro, o jornalista precisa ter genuíno interesse pelos outros. Quando você vai entrevistar um cara, que está te contando uma história, seja ele empresário, um sujeito que foi atropelado ou ainda alguém que está sendo injustiçado, você precisa de alguma maneira se interessar pelo que ele está falando. Jornalista precisa ter empatia, ser capaz de se interessar pelo outros. Se você não se interessa pelos outros, dificilmente você vai dar um bom jornalista.

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– Para escrever bem é preciso:

Ivan Martins – Em primeiro lugar é preciso ler bem. Também é necessário ter resistência, porque escrever bem não é fácil. Algumas pessoas até fazem isso com facilidade, mas a maioria de nós não. É um processo longo e doloroso. Para obter um resultado precisa ter resistência, é só isso. Tem que tentar melhorar, você não pode se satisfazer em escrever uma coisa medíocre. Tem que tentar escrever sempre melhor. Esse esforço do dia a dia, nos jornais, revistas, rádio ou televisão, que faz com o que o texto da gente melhore. É a tentativa de fazer ele melhorar. Ter um bom editor que oriente, te ajude, dizendo onde está bom ou onde está ruim. Mas é um esforço pessoal. Ler é importante, ler coisas boas te ajuda a escrever bem.

– Um livro que todo estudante de jornalismo precisa ter na cabeceira da cama:

Ivan Martins – Na cabeceira da cama não. Mas precisa ler 1984, do George Orwell , e depois continuar lendo tudo dele, porque ele é um grande escritor. O livro 1984 é maravilhoso, e ele discute algo muito próximo da nossa atividade como jornalista que é a produção intelectual, manipulação das ideias, manipulação da história e manipulação dos fatos.

– Para esses “focas” que desejam construir uma boa carreira no jornalismo, qual é o seu conselho?

Ivan Martins – Meu conselho é que leiam atentamente os jornais, observem o trabalho da imprensa. Tentem se instruir sobre a história do Brasil, isso é muito importante.

Por Regine Luise

Perfil de Regine Luise

Regine Luise

Ama, doa, sonha, dramatiza, sorri, chora e escreve. Não necessariamente nessa ordem. Jornalista por profissão, poeta de coração. Prazer, Regine Luise.

Contato: [email protected]

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