Você está preparado para ser um jornalista?

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Foto: Pixabay
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Ser jornalista vai além de ter um refinado status social, ser visto como um ser de alto calibre intelectual, defensor dos interesses sociais comuns, combatente dos maus costumes ou promotor de discussões calorosas recheadas de opiniões divergentes ou convergentes nos meios de comunicação ou redes sociais. Para empunhar a caneta e o bloquinho de anotações e se tornar um desses “soldados da informação” é preciso vencer certos desafios como manter ativo o hábito da leitura, o desapego de folgas e festas de fins de semana, a perda da vida social e do convívio familiar e até mesmo do dinheiro farto ou de um registro na carteira de trabalho. Dura realidade, mas que pode compensar em diversos sentidos se você quiser realmente seguir essa carreira!

O que você anda lendo?

Perguntar a um jornalista se ele gosta de ler é (ou deveria ser) como se fosse perguntar se um coelho gosta de cenouras. Mas, infelizmente o índice de leitura entre os novos jornalistas está cada vez menor. Isso é fácil de ser constado nos bancos das faculdades de comunicação. Redações com palavras sem acentos, frases sem vírgulas, palavras repetidas por demais, falta de coerência de ideias ou até mesmo linguagem falada no lugar da linguagem escrita. Coloquialismo? Naturalidade? Não, mesmo. É falta de domínio e costume de ler e escrever corretamente antes de saber como desenvolver técnicas de elaboração de textos voltados ao público a qual se escreve.

O “Joãozinho” e seus porquês

Jornalista deve ser curioso, como uma criança falante. Por que a presidente não pode baixar a inflação? Por que a polícia não prende o político procurado pela Interpol? Por que o bandido foi solto mesmo depois de ser preso em flagrante? Por que os direitos não são respeitados como deveriam? Para tudo há uma resposta, agradável ou não, mas que às vezes não é entregue numa bandeja a sociedade por um “garçom-jornalista”. Perguntar não ofende (pelo menos não deveria), mas se você perguntar demais e a pessoa não souber responder ela pode te expulsar do local ou armar um verdadeiro barraco. Como diz o ditado: a curiosidade matou o gato. Então, vamos cutucar a onça com uma varinha mais comprida, não é? Ou seja, vamos nos embasar com o máximo de informações antes de questionar alguém.

Seu sem-vergonha!

Como seria uma atriz muito tímida em cena? Um policial com medo? Um açougueiro que passa mal ao ver sangue? É a mesma coisa com jornalista envergonhado. O profissional da comunicação não precisa ser descarado, roubar a atenção sempre quando chega, fazer de tudo para ser notado, mas travar na frente de um entrevistado ou da câmera é sinal de que algo está errado. Se isso acontecer, é preciso trabalhar para reverter essa situação como treinamentos ou até mesmo conversar com um psicólogo. Não se sinta constrangido por isso! Aulas de dança de salão e teatro costumam ajudar. Eu já fiz os dois. Falar na frente do espelho, gravar uma selfie no celular ou discursar em festas da família pode ser um começo para driblar o acanhamento.

Seja sociável

Jornalistas falam de pessoas para pessoas. Falam do que elas fazem ou deixam de fazer e as outras, do outro lado da telinha, rádio, web ou jornal, querem saber das coisas que as interessam. Estar acessível é uma maneira de facilitar que a informação chegue até você para ser publicada. Uma maneira de fazer isso é participar de ações sociais como o futebol com os colegas do trabalho ou uma reunião na câmara de vereadores. Algumas pautas nascem até mesmo em conversas de botecos, na padaria, na fila do banco, nas redes sociais e até com a ajuda daquela vizinha fofoqueira. Informação não ocupa espaço e pode ser muito bem acumulada. E elas vêm, geralmente, por meio de redes de relacionamentos individuais ou coletivos. Cultive suas fontes, sempre!

Gostar do que faz

Ter prazer e satisfação pela função que exerce torna o trabalho menos cansativo, traumático, doloroso ou irritante. Mas, assim como o gosto amargo dos remédios, cada profissão tem seus lados menos atrativos. Ser jornalista pode ter momentos em que será preciso manter a calma e não desanimar como quando o chefe chamar sua atenção ou aquela matéria que você fez com tanto entusiasmo for alterada ou até mandada para o lixo. No começo da carreira isso parece a queda num abismo de estalagmites ou um corte profundo no peito feito por um punhal eletrizante e venenoso, mas tenha paciência. Com o tempo, a experiência e o amadurecimento profissional mostram que esse tipo de coisa incomoda, mas não tanto quanto antes. Portanto, seja forte sempre, até mesmo de estômago. Sim, algumas vezes você pode ver o que não gostaria ainda mais se for um repórter policial. Você sabe do que eu digo. Já vi esfaqueados, esquartejados, membros decepados ou órgãos que não deveriam estar do lado de fora. Mas, calma! Sem pânico. Se não gostar disso, ainda tem a editoria de política, educação, economia, esporte, tecnologia e mais umas 20 outras que não envolvam o estado de saúde das vítimas ou plantões no IML.

Ser o máximo do mínimo

Um dos problemas do jornalismo é a arrogância. Achar que sabe de tudo, deixar o sucesso subir a cabeça ou mesmo menosprezar os que estão a sua volta ou aqueles que começaram depois de você. Já vi colegas meus agirem dessa forma e o resultado não foi muito agradável. Também já vi grandes jornalistas se portarem dessa forma. Isso só serviu para diminuir a admiração que tinha por eles. Se você pensa em ser jornalista só para aparecer na TV, te desejo boa sorte. Ainda acredito que o conteúdo é bem mais valorizado que a beleza física. Muitos têm a sorte de se darem bem por terem o “padrão de beleza” aceitável para determinados fins jornalísticos. Assim como os melhores perfumes podem estar nos menores frascos, os piores venenos também. Resumindo: combata o ego inflado – isso afasta muita gente de você.

Supere as expectativas

Basicamente, o que se espera de um jornalista é uma boa base de conhecimentos gerais, um bom português escrito e falado e uma boa desenvoltura na execução de suas tarefas. O “algo a mais” será por sua conta e pode fazer a diferença na hora da contratação. Um inglês fluente, o domínio de um assunto específico de interesse do veículo de comunicação ou a experiência de trabalhos anteriores estão entre os primeiros itens listados pelas chefias de redação como diferenciais de um candidato a uma vaga. E você? Já pensou em seu diferencial?

Se você já estiver contratado, meus parabéns! Hora de superar as expectativas de seus superiores com boas ideias de pautas, personagens para ilustrar uma reportagem ou colher informações que possam fazer de uma reportagem “A Reportagem”. Ler e reler o seu texto antes de entregar pode evitar erros de português e te salvar de uma crítica com fundamentos documentados pode você mesmo! Ah, e não reclamar da escala de plantões de fim de semana e feriados é outra dica importante. Eu mesmo emplaquei uma reportagem nacional em um plantão da noite de um fim de semana! Olha só: http://g1.globo.com/hora1/edicoes/2015/08/10.html#!v/4381040

Boa sorte nesta nova e viciante carreira.

Por Thiago Moraes

Perfil de Thiago Moraes

Thiago Moraes
Repórter e apresentador de telejornais, Thiago Moraes (31) trabalha com jornalismo televisivo desde 1996, quando iniciou na área técnica (atrás das câmeras). Formou-se em jornalismo pelo UNIFAE, em 2005, na cidade natal (São João da Boa Vista-SP). Pós-graduado em Linguagens Midiáticas e pós-graduando em Jornalismo Econômico pela PUC-SP. Thiago Moraes é autor de mais de 3 mil reportagens televisivas e também escreve para o blog TELE BLOG NEWS – Bastidores do jornalismo em TV.

1 COMENTÁRIO

  1. Obrigada por compartilhar essas dicas, serviram muito para me ajudar a ser uma estudante de Jornalismo melhor e assim conseguir alcançar a minha tão sonhada carreira de jornalista esportiva, muito obrigada.

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