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“A Arte de Fazer um Jornal Diário” e as Lições do Jornalismo

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A arte de fazer um jornal diário

O livro do experiente jornalista Ricardo Noblat, lançado em 2002 e com 174 páginas propõe-nos uma reflexão sobre a arte de fazer jornalismo e dá dicas e lições aos futuros jornalistas. O livro trata dos valores éticos e morais, da arte de apurar informações, da mudança do jornalismo ao longo do tempo, das técnicas de escrita, entre outras questões importantes para a carreira.

Uma questão tratada no livro é a queda no número de leitores dos jornais impressos. Segundo os leitores, vários motivos os fizeram abandonar a leitura do jornal: frequentes erros ortográficos, tinta que mancha as mãos, muitas páginas e formato de difícil manuseio. Ainda de acordo com os leitores, os jornais preocupam-se mais em noticiar assuntos de interesse do jornalista do que os de interesse dos leitores.

Os jornais impressos vêm perdendo público devido ao avanço da internet e de outros meios de comunicação, mas exercem importante papel na sociedade e têm sua clientela assídua. Cabe aos jornalistas e donos de jornais a reciclagem de conteúdo, como a publicação de reportagens que sejam de interesse do público, principalmente dos jovens; a adaptação às novas mídias digitais; a maior interação com os leitores, que desejam ter voz e querem ser ouvidos. Apenas com essas atitudes os tradicionais jornais impressos conseguirão manter-se ativos e servindo como ferramenta de informação à sociedade.

Para realizar sua função de informar, o comportamento ético e moral do jornalista é de extrema importância. Para Noblat, o jornalista tem quatro deveres aos quais deve pautar-se. O primeiro é com a verdade, o segundo com o jornalismo independente, o terceiro com os cidadãos e o quarto com a própria consciência. Cumprir e respeitar esses deveres são difíceis, pois há muitos fatores externos que influenciam no trabalho do jornalista, como patrões, empresas e políticos que são donos de determinados meios de comunicação e influenciam na escolha das matérias a serem publicadas.

Os jornalistas devem perceber quando estão passando dos limites na cobertura jornalística, pois alguns acham que podem passar por cima de leis e de valores éticos e morais para conseguir informações. Costumam mentir, roubar documentos e gravar conversas sem autorização para conseguir um furo de reportagem, mas é necessário que haja uma atitude mais respeitável e ética com as pessoas envolvidas, pois assim o público perceberá que está sendo respeitado e que fazemos nosso trabalho para eles.

A notícia de qualidade

Produzir notícias e reportagens de qualidade é uma tarefa árdua e que exige dedicação. O jornalista deve considerar-se “burro” e sempre fazer perguntas e mais perguntas, até que suas dúvidas fiquem respondidas. Além disso, o jornalista deve sempre duvidar e questionar suas fontes, seus entrevistados, ele mesmo e seu próprio texto, pois apenas com uma apuração bem feita é que a matéria servirá para seus leitores (os únicos com os quais o jornalista deve preocupar-se em agradar).

O bom jornalista é aquele que conta bem uma “história”. Quanto mais o texto descrever os elementos da notícia, mais próximo o leitor se sentirá do jornal, do jornalista e da matéria, tornando-se leitor fiel daquele jornal. O leitor deseja humanizar a notícia lida e identificar-se com ela, por isso é importante a descrição das personagens e das cenas. É melhor o jornalista observar o que está ao seu redor na notícia do que ouvir declarações “simplistas” dos envolvidos. Ao ler uma reportagem ou uma notícia, o leitor deseja “entrar” na matéria e colocar aquilo de alguma maneira em sua vida.

O jornalista na atualidade

Cabe ao jornalista atual ser multimídia, dominando todas as tecnologias disponíveis no mercado. Ele deve atentar-se para as diferentes mídias existentes, como televisão, rádio, jornal impresso, internet, redes sociais e o que mais possa surgir no futuro. O jornalista multimídia tem maiores chances de “sobreviver” no mercado de trabalho, pois há um enorme corte nos gastos das empresas de comunicação.

Com relação à arte de escrever, Ricardo Noblat é categórico: escrever bem e ter vocabulário são questões básicas para qualquer jornalista. E para escrever bem, deve-se ler bastante os mais diversos tipos de texto.

Em seu todo, o livro de Ricardo Noblat é uma ode ao jornalismo de excelência. A prática jornalística é prazerosa mas é necessário esforço e dedicação para cumprir da maneira ideal e correta a função de informar. É preciso compreender a necessidade de boas informações em um mundo “online”, cheio de artimanhas e falsas notícias, e somos nós, futuros jornalistas, que devemos buscá-las e transmiti-las da maneira mais próxima à realidade dos fatos.

Por Victor Stok

Perfil do autor

Victor Stok

Victor Stok tem 25 anos, é formado em Letras e atualmente estuda Jornalismo em São José do Rio Preto. Durante a primeira graduação estagiou no periódico institucional da universidade e se deleitava ao contar histórias e apurar informações. Eterno sonhador e com alma de poeta, acredita que o jornalismo de qualidade pode transformar o mundo em que vivemos.

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