Um repórter pesquisador

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Segundo Luis Mauro Sá Martino para ser pesquisador, não é necessário abrir mão de ser repórter.Foto: Camila Alvarenga
“Há um mercado extremamente hostil à pesquisa acadêmica”, advertiu o professor Anderson Gurgel. Foto: Camila Alvarenga
“Há um mercado extremamente hostil à pesquisa acadêmica”, advertiu o professor Anderson Gurgel. Foto: Camila Alvarenga

Ao escolher o curso de jornalismo, a maioria sonha em ser repórter. Poucos são aqueles que se aventuram na área de pesquisa do jornalismo. O tema norteou o debate realizado no dia 30 de setembro, durante a Semana de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero pelos professores Anderson Gurgel, Luis Mauro Sá Martino e Marcelo Cardoso.

“Há um mercado extremamente hostil à pesquisa acadêmica”, iniciou o professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Anderson Gurgel. A carreira exclusivamente acadêmica, hoje, tem um espaço que não tinha há 30 anos. O Centro Interdisciplinar de Pesquisa (CIP) da Faculdade Cásper Líbero, por exemplo, surgiu a não mais que 14 anos atrás.

Segundo Luis Mauro Sá Martino para ser pesquisador, não é necessário abrir mão de ser repórter.Foto: Camila Alvarenga
Segundo Luis Mauro Sá Martino para ser pesquisador, não é necessário abrir mão de ser repórter. Foto: Camila Alvarenga

Segundo o professor e escritor Luis Mauro Sá Martino, um dos propósitos da academia atualmente é buscar entender um pouco da complexidade do jornalismo de hoje, pois estamos numa época em que se pode fazer jornalismo de “1 milhão de maneiras novas”. Ele também acrescentou que, apesar do tempo e esforço que a área de pesquisa demanda, “É muito gratificante” e que, para ser pesquisador, não é necessário abrir mão de ser repórter. Ressaltou que a pesquisa não é menos importante que o hard news, “O compromisso público [da pesquisa], a responsabilidade é a mesma”.

Não é considerado que as pesquisas podem auxiliar no momento da produção. No momento atual, em que o jornalismo de redação está em crise, “O problema de hoje não é fazer leads”, disse Anderson, “O jornalismo deve ser humilde e aceitar que precisa dialogar com a academia”. Para ele, esta seria a resposta para o problema da mídia: o diálogo entre mercado e academia.

Na opinião do professor Marcelo Cardoso "talvez o jornalismo de redação precise, até com certa urgência, da academia”. Foto: Camila Alvarenga
Na opinião do professor Marcelo Cardoso “talvez o jornalismo de redação precise, até com certa urgência, da academia”. Foto: Camila Alvarenga

Para o professor da Faculdade Belas Artes e FIAM, Marcelo Cardoso, essa união entre as áreas do jornalismo pode ser especialmente proveitosa: “A academia é o lugar para testar, brincar. Aqui a gente pode errar e, muitas vezes, errando é que a gente descobre algo novo”.

O professor Gurgel foi mais além e, com isso, concluiu, “O hard news está mais vocacionado para uma técnica e uma soltura imediata. As máquinas agora estão dando conta do hard news. Talvez o jornalismo de redação precise, até com certa urgência, da academia”.

Por Camila Alvarenga

Perfil da Autora

Camila Alvarenga

Eu sou a Camila e estou no 2º semestre de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero. Meu sonho mesmo é ser jornalista de guerra mas, por enquanto, me contento com abastecer quinzenalmente meu blog pessoal com notícias e colunas sobre política e sociedade.

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