A Cobertura jornalística em tempos de pandemia

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Em tempos de crise, o jornalismo tenta se reinventar para continuar trazendo ao telespectador produtos de qualidade

A característica principal da sociedade contemporânea é a presença de tecnologias capazes de ultrapassar muros e aproximar pessoas. Aplicativos como Skype, WhatsApp, Facebook, Google Hangouts e o já um tanto obsoleto e-mail, deixam as pessoas próximas com poucos cliques.

Da mesma forma que surgiram essas ferramentas tecnológicas para se comunicar, as aeronaves e outros meios de transporte são capazes de ligar pessoas de diferentes continentes, países, cidades, culturas em poucas horas.

Riscos da globalização 

Entretanto, em meio a toda essa facilidade, há eminentes riscos, já que doenças causadas por bactérias ou vírus passam ligeiramente entre as mais diversas fronteiras e, com isso, contaminam centenas de milhares de pessoas.

Um caso emblemático como este é o da Gripe espanhola, ocorrida no século XX, ainda no período da Primeira Guerra Mundial, causada pelo vírus H1N1. Estima-se que esta gripe tenha infectado 500 milhões de pessoas e matado aproximadamente 50 milhões.

Como manter as notícias em tempos de coronavírus?

Mas, em tempos de crise como este em que vivemos, estudantes, jornalistas recém-formados e os já veteranos comunicadores se perguntam: Como manter os noticiários com a qualidade necessária em tempos de riscos à saúde? Muitos veículos têm recorrido à tecnologia e à cobertura remota.

Em tempo, recentemente, em novembro de 2019, foi identificado na China o coronavírus, Covid-19, uma mutação de um vírus já conhecido e que até este momento já impactou o Brasil e o mundo com inúmeros infectados e mortos.

Para saber como estão agindo alguns dos principais veículos de comunicação do país, a “Casa dos Focas” conversou com repórteres, jornalistas e comunicadores de diversos jornais e emissoras.

O jornalismo não será o mesmo após essa pandemia

Vinicius Dônola, experiente e premiado repórter, com passagens pela Globo, Record e com recente projeto de mentoria para novos jornalistas, afirmou que “essa é uma das maiores transformações da história da cobertura jornalística, principalmente para quem trabalha com audiovisual, porque toda cobertura tem sido feita de forma remota, por meio de aplicativos de chamadas, aplicativos de mensagens. Então, remotamente por questão de segurança, dificuldade e impossibilidade de acesso, o jornalista tem chegado para especialistas, pessoas anônimas dessa forma”.

O repórter considera essa situação “uma revolução imensa”. Segundo ele, “passada a pandemia, o jornalismo não será o mesmo. A maneira de se produzir conteúdo audiovisual não será a mesma. É uma pandemia que vem trazer novos esforços gigantescos para o jornalista, mas também vem para mostrar novas formas de se produzir conteúdo audiovisual”.

Combate às Fake News

Já para Ricardo Chapola, que deu expediente também em diversos veículos como Globo, Estadão, Nexo e hoje é editor-chefe do Quebrando Tabu, um dos principais problemas da já difícil cobertura da pandemia Covid-19, é a postura que os governos tem adotado e a disseminação das chamadas Fake News.

“No nosso país, a cobertura tem sido bastante crítica ao governo que, por alguma razão, tem tentado desqualificar o trabalho da imprensa e tomado uma conduta oposta às recomendações dadas pelos órgãos de saúde. Nos bastidores, sinto que tem sido um desafio. Porque num momento como esse é preciso proteger os brasileiros da pandemia. Mas no geral, o jornalismo tem tentado mais do que nunca combater as Fake News divulgadas, muitas vezes, pelo presidente e por seus apoiadores, não amparados em dados científicos e em fontes oficias de saúde”, ressalta.

Proteção dos profissionais da imprensa

Sabe-se que o Corona é mais danoso para algumas idades, principalmente para idosos. Essa também tem sido uma preocupação dos veículos de comunicação de massa.

Franz Vacek, superintendente de jornalismo e esportes da Rede TV!, explicou que afastou profissionais a partir dos 60 anos como Boris Casoy, Augusto Xavier e Silvio Luiz. Além disso, “editorialmente colocamos as diferentes vozes da sociedade frente à pandemia. Internamente transformei a redação em uma única unidade produtora. Todos do jornalismo, esporte e digital estão trabalhando em escalonamento para evitar o número de pessoas circulando na emissora. Nossa prioridade é colocar no ar os telejornais e boletins diários. Protegemos a saúde de nossos colaboradores com a certeza que informação de qualidade, apurada, pode ajudar a salvar vidas. Por isso jornalismo é profissão essencial em tempos de pandemia”, concluiu.

Dicas para noticiar sobre o coronavírus

O portal IJNet reuniu algumas dicas para jornalistas que precisam noticiar sobre o coronavírus, dentre as quais destacamos as seguintes:

  • Entenda o estado de ânimo no local que está cobrindo- depois traduza-o no seu trabalho.
  • Concentre-se em transmitir informações, não análises;
  • Cuidado com suas manchetes;
  • Lembre-se: nem todos os números são exatos;
  • Converse com o maior número possível de pessoas;
  • Evite tons racistas;
  • Considere a maneira como você entrevista especialistas;
  • Não negligencie matérias que não são comoventes;
  • Defina seus limites. Às vezes, é melhor dizer “não” ao editor;
  • Quando as coisas se acalmarem, acompanhe o tema;


Cuidado com as fontes especializadas

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também divulgou alguns conselhos para os que precisam de fontes especializadas em coronavírus. Segundo a instituição, por ainda ser um vírus desconhecido, não há pesquisadores ou médicos suficientes especializados em COVID-19. Por este motivo, a Abraji recomenda:

  • Escolha especialistas com cuidado. Receber um Prêmio Nobel por um assunto científico não torna alguém uma autoridade em todos os tópicos científicos. Nem fazer doutorado ou lecionar em uma conceituada escola de medicina;
  • Distinga o que se sabe ser verdade do que se pensa ser verdade – e o que é especulação ou opinião;
  • Tenha cuidado ao citar resultados de “pré-impressões” [projetos científicos, preliminares] ou trabalhos acadêmicos não publicados;
  • Peça ajuda a acadêmicos para avaliar a relevância de novas teorias e afirmações. Para evitar que as informações erradas se espalhem, os veículos de notícias devem checar a veracidade dos artigos também;
  • Leia o trabalho de jornalistas que cobrem bem tópicos de ciências.

 
Por Rodrigo Sales.

Perfil de Rodrigo Sales


Rodrigo Sales é um jornalista que ainda acredita que comunicar é contar novas e fascinantes histórias a cada dia. Curioso ao extremo, sempre busca se aprofundar na notícia e entender todos os fatos que norteiam os acontecimentos. Com 28 anos de idade, deseja sempre ser um semeador da crítica e da livre expressão do pensamento.

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