Como é escolhido um apresentador de telejornal?

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Como é escolhido um apresentador de telejornal

A escolha de um apresentador ou apresentadora depende da competência deles na função, mas em grandes emissoras existem aspectos que podem chamar mais a atenção dos chefes de jornalismo.

A regra é clara

Todo apresentador de telejornal deve ser jornalista (diplomado ou com Mtb – registro profissional de jornalista). A emissora que mantém um telejornal no ar apresentado por um não-jornalista pode sofrer punições do Sindicato dos Jornalistas da sua região por meio de processos do Ministério do Trabalho.

Quesitos

Basicamente, um bom apresentador tem que ter dom pra coisa. Não que uma pessoa sem isso não possa sentar numa bancada, mas terá mais dificuldades (quase todas de alguma forma superáveis). A princípio, o jornalista que quer esse cargo precisa ser desinibido, curioso, bem informado (como todo jornalista) e comunicativo. Se o “aspirante” a apresentador não tiver um ou mais desses quesitos, vai sofrer para deslanchar nessa função.

Barreiras

A timidez é a primeira a ser vencida. Se você tem dificuldades em falar em público, por exemplo, pode ser que “trave” quando o “tali” (aquela luz vermelha na frente da câmera) acender. Uma dica é treinar de frente a um espelho, gravar com uma câmera caseira, depois com um amigo assistindo e até fazendo um discurso para a família.

Voz bem postada também é importante. Falar com convicção, propriedade e transmitindo segurança é fundamental. A narração deve ser o mais natural possível, como se fosse em uma conversa entre amigos, mas de forma clara, sem sotaques regionais acentuados e sem atropelar as palavras.

Improviso

O “jogo de cintura” é um diferencial entre os apresentadores. Quem sabe “segurar um ao vivo”, com poucas informações, pode se destacar na carreira. As vezes, falhas técnicas acontecem como cair o TP (teleprompter), cair o link do repórter, a ligação de um entrevistado etc. Nessas horas, o apresentador deve ter “molejo” pra não piorar a situação, ou seja, sair dela com naturalidade.

Figurino

Use a roupa certa! No caso de telejornais, o indicado para homens é terno escuro, camisa clara (em tons pastéis) e gravata lisa ou de listrada largas (azul, preta, chumbo, vinho e verde são as cores de gravata mais usadas). Para as mulheres, roupas sociais também (terninhos) ou blusas sociais mais comportadas (evite decotes), sem babados ou ombros volumosos. As cores também devem neutras.

Para ambos, cuidado com cores fortes, vivas, neon, xadrez e listras (as roupas listradas, como “risca de giz” podem dar “batimento”, uma interferência na leitura da câmera em que a roupa do apresentador parece estar “dançando” quando ele se movimenta, como água no mar agitado).

Acessórios

Colares, brincos grandes, pulseiras, piercings, anéis salientes ou relógios extravagantes devem ser evitados. Tudo isso pode desviar a atenção do telespectador.

Para as mulheres, maquiagem leve, sombras e batons suaves. Os homens devem usar, pelo menos, um pó compacto para diminuir o brilho no rosto provocado pela iluminação forte do estúdio.

Cabelo

O corte deve ser “comportado” para demonstrar seriedade. Para homens, cabelos curtos no estilo “gerente de banco” e para mulheres um penteado mais liso. As cores dos cabelos devem ser as comuns (castanho escuro, castanho claro ou louro – nada de vermelho, azul ou duas cores para apresentar um telejornal). Para homens, tons crisalhos naturais são bem-vindos – é um atrativo para a função.

Mulheres de cabelos muito longos podem usar rabo de cavalo, mas o mais comum são cabelos cortados na altura dos ombros: nem muito longos, nem muito curtos. Cabelos arrepiados estão fora de cogitação.

Seleção pela beleza

Outro ponto é a aparência – e aqui está a parte delicada que me referia. Todos têm oportunidade em ser apresentadores, mas grandes emissoras preferem, para início de carreira, jornalistas com padrões estéticos elevados. Infelizmente há discriminação e preconceito no meio profissional top. Como há grande concorrência, essa é uma forma de seleção quando há muitos candidatos. É o “padrão de beleza” que infectou o jornalismo televisivo nos últimos anos. Basta analisar os telejornais de hoje. Quem está fora dessa regra, é porque está há muitos anos no jornalismo televisivo ou tem uma qualidade intelectual excepcional.

Q.I.

Amizades fortes com pessoas influentes na TV, relações afetivas e indicações de pessoas importantes (como políticos e grandes empresários – os “costas-quentes”) também facilitam uma promoção rápida de um repórter ou apresentador. Se você não tem um “Quem Indique” de peso, batalhe pelo seu reconhecimento: faça seu melhor no trabalho e tenha bons relacionamentos profissionais.

Para finalizar…

Muitos podem discordar ou se incomodar com o que escrevi, mas foi minha experiência de 16 anos em jornalismo televisivo que me fez tirar essas conclusões. Essa é a minha opinião. É o conjunto harmonioso dos quesitos acima que vão contribuir na escolha de um apresentador de telejornal. A confiança em um funcionário dedicado também faz abrir portas, não apenas para essa função, mas para muitas outras no mundo corporativo.

Por Thiago Moraes

Perfil de Thiago Moraes

Thiago Moraes
Repórter e apresentador de telejornais, Thiago Moraes (31) trabalha com jornalismo televisivo desde 1996, quando iniciou na área técnica (atrás das câmeras). Formou-se em jornalismo pelo UNIFAE, em 2005, na cidade natal (São João da Boa Vista-SP). Pós-graduado em Linguagens Midiáticas e pós-graduando em Jornalismo Econômico pela PUC-SP. Thiago Moraes é autor de mais de 3 mil reportagens televisivas e também escreve para o blog TELE BLOG NEWS – Bastidores do jornalismo em TV.

1 COMENTÁRIO

  1. Esse é meu maior medo: Aparência.
    Desejo muito ser apresentador e/ou âncora, mas temo por esse quesito. Não sou lá a pessoa mais feia do mundo, mas também não a mais bonita. E sei, que infelizmente e inevitavelmente a ‘futilidade da cultura da beleza’ também chegou no telejornalismo.
    Uma pena. :s

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