Jornal Nacional: imparcialidade ou superficialidade?

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William Bonner e Patrícia Poeta apresentam o Jornal Nacional

Ao assistir o Jornal Nacional, noticiário do horário nobre da TV Globo, muitos brasileiros sentem estar absorvendo informações imprescindíveis para sua participação como cidadão. Todavia informar é o mesmo que noticiar? Para muitos dicionários sim. Mas noticiar é contar um fato, enquanto que informar precisa ser equivalente a instruir, ensinar. Diante dessa significação, o Jornal Nacional parece noticiar, contudo sem informar.

Para provar essa contestação indico-lhe que assista ao Jornal da Cultura, exibido às 21h, no canal Cultura. Nesse noticiário há um âncora, Willian Corrêa, e a cada edição do jornal há também dois convidados que atuam em diferentes profissões (de juristas à filósofos) e, no noticiário, têm a função de opinar e esclarecer as notícias em pauta.

Sem a obrigatoriedade de concordância ou divergência, ambos os profissionais demonstram suas opiniões e experiências –normalmente muito bem embasadas– sobre os fatos apresentados. Assim, o telespectador pode realmente entender a notícia –e não apenas assisti-la–, além de avaliar qual fundamentação faz mais sentido para si.

Já o Jornal Nacional apenas conta ao telespectador os acontecimentos do Brasil e do mundo ao se apoiar sagazmente no quesito imparcialidade. Quando, na prática, demonstra o uso da superficialidade, ou seja, contar os fatos sem questioná-los ou elucidá-los aos seus telespectadores (nem ofender patrocinadores e aliados).

Sendo assim, o Jornal da Cultura está muito mais próximo de um informativo imparcial, pois quem elucida os fatos está também os investigando. O âncora do Jornal da Cultura não impõe sua opinião pessoal, mas permite que seus convidados expliquem as razões de suas ideias. Dessa forma, o telespectador está aprendendo o assunto, o que facilita a interiorização do conteúdo e a consequente formação de opinião, contribuindo para um povo instruído.

Ora, se até mesmo jornalistas às vezes não compreendem a notícia sendo transmitida, imagine aqueles que não lidam diretamente com a captação, checagem e divulgação de dados. Portanto, é desse jornalismo explicativo e questionador que o país precisa, pois demonstra isenção, mas sem a superficialidade comum ao JN e à outros jornais que somente contribuem para a profusão de informação e consequente ignorância “pseudoinformada” do telespectador.

Por Andreza Galiego

2 COMENTÁRIOS

  1. Gosto bastante do formato do Jornal da Cultura, porém, acho ele muito paulistano. As notícias são praticamente todas sobre São Paulo. Para pessoas de outro estado como eu, deixa a desejar.

  2. Concordo André, mas acredito que seja pelo fator financeiro: como a sede é Sampa, os gastos são menores em se fazer reportagens por aqui. Seria ótimo se ele se tornasse um jornal de âmbito nacional, mas será que manteria o formato? Para ampliar a cobertura seriam necessários mais gastos e, em contrapartida, mais patrocínios, e isso poderia limitar o telejornal aos demais formatos já existentes. Uma pena!

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