InícioHistória do jornalismoJulian Assange, o fundador do Wikileaks

Julian Assange, o fundador do Wikileaks

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Julian Paul Assange nasceu em Townsville, nordeste da Austrália, no dia 3 de julho de 1971. Ele era conhecido por ser um garoto muito esperto com um senso aguçado de certo e errado e que sempre se posicionou contra o fato de que havia pessoas que exploravam seus iguais.

Julian Assange, fundador do Wikileaks'
Julian Assange, fundador do Wikileaks

A infância de Julian foi bem perturbada, pois sua mãe se casou e se separou por duas vezes, sendo que na última ela teve que viver com os filhos em um esquema de esconderijo durante cinco anos, pois passou a disputar a guarda do meio-irmão dele. Isso tudo fez com que o pequeno Assange trocasse 37 vezes de escola e aprende-se a ser seu próprio professor. Daí para os computadores foi um pulo. E deles para tornar-se um hacker, um clique.

Em 1987, já com 16 anos, Julian começou a atuar como hacker com o nome de Mendax, tirado de uma citação do poeta romano Horácio (65-8 AC): “splendide mendax”, que traduzido significa “nobremente mentiroso”. Na época uniu-se a outros dois hackers e formou um grupo que recebeu o nome de Subversivos Internacionais. As regras, escritas por Julian, diziam: “Não danifique os sistemas de computador que você invade; não mude a informação desses sistemas; e compartilhe sempre as informações obtidas”.

Capa da revista Time de dezembro de 2010 (Você quer saber um segredo?)
Capa da revista Time de dezembro de 2010 (Você quer saber um segredo?)

Quatro anos depois, a Polícia Federal Australiana invadiu sua casa em Melbourne sob a acusação de que ele acessava computadores que pertenciam a uma universidade, à empresa canadense de telecomunicações Nortel, ao Sétimo Comando da Força Aérea dos Estados Unidos e outros pontos de destaque usando um modem. Em 1992 foi considerado culpado de 24 acusações de hackeamento, mas foi solto por boa conduta e pelo pagamento de uma fiança no valor de AU$ 2.100,00 (R$ 3.506,37). O promotor do caso afirmou que “não há provas de que havia algo mais do que uma inteligência inquisidora e o prazer de ser capaz de surfar por vários computadores”. O juiz avisou que se Julian não tivesse tido uma infância perturbada, iria para a cadeia por pelo menos 10 anos.

Em 1993, Assange começou a desenvolver um dos primeiros provedores de serviço de internet da Austrália, o Suburbia Public Access Network. E em 1999 registrou o domínio leaks.org (ainda sem o Wiki no nome), mas segundo ele mesmo, não fez nada com isso. Entre 1999 e 2006, estudou física e matemática na Universidade de Melbourne. Cursou ainda filosofia e neurociência.

No ano de 2006 fundou o Wikileaks, onde começou a publicar documentos de quase todos os governos mundiais, inclusive do Brasil.

Capa da revista Forbes de novembro de 2010
Capa da revista Forbes de novembro de 2010

Em agosto de 2010, um mês após ter divulgado os documentos secretos do Exército americano sobre a Guerra do Afeganistão, foram expedidos dois mandados de prisão contra Assange, emitidos pela Justiça da Suécia, sendo um por estupro e outro por violência sexual. Só para constar, uma das “vítimas” de abuso, Ana Ardin, é cubana, anticastrista e já trabalhou para ONGs financiadas pela CIA.

Nessa época surgiram denúncias na internet, se uma possível conspiração contra Assange. O porta-voz do pentágono, Bryan Whitman, no entanto afirmou que qualquer insinuação de uma possível conspiração do Departamento de Defesa dos Estados Unidos contra o hacker era “absurda”.

Através do Wikileaks foram divulgados em 28 de novembro de 2010, mais de 250 mil documentos diplomáticos confidenciais do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Estes revelavam instruções do governo dos EUA aos seus diplomatas, para que atuassem como espiões, recolhendo informações sobre líderes políticos e das Nações Unidas, inclusive dados biométricos e cartão de crédito do secretário geral da ONU, Ban Kimoon.

Em 7 de dezembro de 2010, Julian Assange apresentou-se à polícia de Londres. Apesar de ter negado o crime contra  duas mulheres na Suécia,  ele ficou nove dias preso no presídio de Wandsworth. Durante esse período teve sua correspondência censurada. O canal australiano de televisão “Seven Network”, transmitiu uma mensagem recebida pela mãe de Assange, na qual ele implorava: “Faço um apelo a todo o mundo para que o meu trabalho e meus seguidores sejam protegidos desses ataques ilegais e imorais”.

Assange foi julgado em 14 de dezembro do mesmo ano por um tribunal de Londres, quando obteve a liberdade após pagar uma fiança de 200 mil libras. Apesar disso, teve de entregar seu passaporte e foi obrigado a viver sob toque de recolher, além de usar uma tornozeleira dotada de um dispositivo eletrônico que indica sua localização.

De acordo com Glenn Greenwald, escritor e advogado constitucionalista norte-americano, caso os Estados Unidos consigam processar Assange com base na lei de espionagem e na lei de fraude e abuso de computadores, jornalistas se tornarão mais frágeis a ações judiciais. Além disso, o caso pode gerar algum tipo de repressão ou censura na Internet.  

No dia 19 de junho de 2012, o fundador do Wikileaks refugiou-se na embaixada do Equador em Londres, na esperança de conseguir asilo político no país sul-americano. O presidente do Equador, Rafael Correa, concedeu asilo político à Assange em 16 de agosto do mesmo ano.

No início do ano de 2013 Julian Assange lançou um livro, do qual são co-autores Jacob Appelbaum, Andy Müller-Maguhn e Jérémie Zimmermann. Na obra é discutida a transformação da internet em um instrumento de controle, a serviço do poder político e econômico. Segundo ele “hoje, o Google sabe mais sobre você que sua mãe. Esse é o maior roubo da história”. O livro, que chegou ao Brasil em fevereiro do mesmo ano é intitulada “Cypherpunks – Liberdade e o futuro da Internet”.

Leia também: Mini-Glossário do telejornalismo

Por Emílio Portugal Coutinho

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Emílio Coutinho
O jornalista e professor Emílio Coutinho criou a Casa dos Focas com o objetivo de ser um espaço para debate, aprofundamento e divulgação de novidades dentro da área do jornalismo. Os textos aqui publicados são de responsabilidade dos seus respectivos autores.
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