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Lugar de repórter é na rua!

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Já perdi a conta de quantas vezes ouvi essa frase, entretanto, ao longo do tempo, pude comprovar – por relatos e por experiência própria – que essa definição está cada vez mais distante da realidade das redações atuais e um dos principais indicativos é o uso excessivo da tecnologia digital.

É evidente que o advento da internet mudou a forma de fazer jornalismo, seja isso bom ou ruim. O público hoje tem uma participação muito maior na produção das notícias (se é que antes possuía alguma) através do envio de textos e imagens factuais. A situação que isso produz tem duas vias, uma boa e outra nem tanto.

Por um lado o jornalismo cidadão auxilia os jornalistas, que podem assim transmitir uma informação de onde quer que estejam e no momento em que o fato está ocorrendo. Por outro lado, essa relação tende a prender os repórteres na redação, sempre à espera de dados vindos pela internet.

É fato que hoje os jornalistas estão cada vez mais utilizando telefone, e-mail e redes sociais como meios de apuração para suas matérias, isso não é errado, no entanto o excessivo uso destes meios tem feito os repórteres perderem a noção da importância de estar no local do acontecimento, apurando as informações de outras maneiras.

O repórter não pode perder a capacidade de descrever cenas e para isso ele tem que ver, ver, ver e ser “testemunha ocular da história”, pois esse continua sendo o melhor meio de apuração das pautas factuais. O bom repórter está sempre procurando o furo de notícia, que normalmente é encontrado na rua, onde também estão as boas fontes de informação.

A notícia pode estar há poucos passos, do outro lado da rua. Deve-se estar em contato constante com o público para descobrir o que ele deseja saber. E esse contato não pode ser simplesmente através das redes sociais, telefone e e-mail. É necessário sujar os sapatos para apontar as imundícies de uma polícia corrupta, as falcatruas de uma câmara de deputados ou as irregularidades das obras de escolas, hospitais e estradas, por exemplo.

Cláudio Abramo em seu livro A regra do jogo aconselha sobre a importância de se vivenciar os fatos: “É preciso que [o jornalista] saiba das coisas e as tenha visto. É preciso andar na rua e saber que ela é feita de paralelepípedos. Não adianta apenas ler a respeito: é necessário pisar naquele chão, sofrer o sol, saber ver nos rostos da multidão o que é uma pessoa e o que é outra”.

Em entrevista para o livro Repórteres do Volante, o editor executivo do jornal O Globo, Orivaldo Perín, explicou: “O leitor percebe quando você trabalhou para fazer a matéria”, e continua, “cada vez há menos matérias que trazem nas entrelinhas o suor do repórter”. Mas, infelizmente parte dessa mentalidade de jornalista acomodado é formada já na faculdade. Portanto, nós, estudantes devemos ter a consciência de que nosso lugar não é sentado diante de um computador, mas de pé diante dos fatos.

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Por Emílio Portugal Coutinho.

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Emílio Coutinho
O jornalista e professor Emílio Coutinho criou a Casa dos Focas com o objetivo de ser um espaço para debate, aprofundamento e divulgação de novidades dentro da área do jornalismo. Os textos aqui publicados são de responsabilidade dos seus respectivos autores.
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4 COMENTÁRIOS

  1. Todo jornalista, precisa sentir o calor de uma matéria, isso só acontece se sair para rua.
    É na rua que podemos encontrar qualquer tema, principalmente assuntos que podem estar esquecido pela sociedade.
    O jornalismo não pode ser comparado com a grande mídia, porque ela é totalmente falha, censurada, manipulada.
    As pessoas precisam de um jornalismo com verdade, onde através da informação, tornaremos um mundo mais consciente, isso só pode acontecer quando os jornalistas vão para as ruas.

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