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Meus desmandamentos

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Foto: Pixabay
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Doze ou treze atitudes que, na minha opinião você deveria tomar para chegar pelo menos entre os dez melhores. Se você conseguir cumprir tudo isso me avise para que eu possa apostar todas as minhas fichas em você.

Pense

O dia lhe dá 24 horas para pensar. Pense. Em tudo e em nada. Pense na vida, pense na sorte, pense no seu norte. Pense no seu hoje, no seu ontem e no seu amanhã. Pense nos quês, nos porquês, nos quem, nos onde, nos como e nos quando. Rumine feito um boi pensando no pasto e se pergunte igual fazem os mineiros: “quemquieusou, dondeuvim, pondeuvou”. Pense quando estiver no ônibus, pense quando estiver no trem e no metrô. Pense nas pessoas, pense nas vidas, pense nas atitudes, pense nos olhares, nos sons, nas canções, nos balões e nos aviões. Pense nos bondes que já foram. Pense nas histórias de quem vai e de quem vem. Em quem pensa e em quem não pensa. Em quem faz, o que faz e desfaz. Pense. Pensar não dói nada, faz um bem danado e quem pensa nunca vai comer nada enrolado. Pensar é fundamental, já pensou nisso?

Leia

Leia tudo. Jornais, revistas, almanaques, livros. Você é o que você tem na cabeça. Quanto mais cheia estiver a sua cabeça mais respostas você terá, mais palavras, mais argumentos, melhor raciocínio, maior força de convencimento. Pense pois você vai viver de palavras e é a leitura que enriquece o seu vocabulário.

Ouça

Viva com as orelhas alertas e abertas a tudo. O mundo tem seis ou sete bilhões de pessoas. Cada pessoa é uma história. Cada história é um livro. Se você quer ser um contador de histórias, ouça. Ouça o que dizem, ouça o que cantam, ouça o que choram, ouça o que riem. Ouça as letras das canções, pense no sentido, nas passagens e nas mensagens. Ouça a música que vem com o vento, a música que está no ar, o ruído do mar, o canto do pássaro, o som do mundo. Grave tudo na cabeça, você poderá precisar. Não tenha medo de guardar todas essas informações porque o saber não ocupa lugar e o seu cérebro é o maior e melhor computador que existe. Veio prontinho e programado só falta você usar, abusar e acreditar nele.

Pergunte

Sabe por que você está sempre cheio de dúvidas e de coisas que nunca soube até hoje? Só porque você não perguntou. A única maneira de se saber tudo sobre tudo é perguntar. Como diria um velho comediante, perguntar não ofende. Além disso perguntar é a principal função de um repórter. Repórter que não pergunta não sabe nada, não tem respostas. Se não tem respostas não tem sobre o que escrever. Pergunte tudo, inclusive e especialmente pergunte o óbvio. O óbvio só é óbvio porque é óbvio, quando deixar de ser óbvio não será mais óbvio, não é óbvio? Só que, o que é óbvio para uns pode ser inteiramente desconhecido para outros. Pergunte. Quanto mais perguntas, mais respostas você vai ter. Quanto mais respostas mais perguntas para se perguntar. Se você vai ser repórter acredite nisso: todo mundo está atrás das respostas que você também está buscando. Abra a boca e pergunte.

Planeje

Com certeza você já sentiu inúmeras vezes, aquela nítida intuição e sensação de que: “…isso não vai dar certo…” Aprenda que mais do que nunca, especialmente no tal “mundo moderno”, o que não é planejado tem tudo para dar errado. Se é assim e você sabe que é assim, planeje. Planeje a sua vida, sua hora, planeje o seu dia, sua semana, seu mês, seu ano, seu futuro. A vida é uma grande reportagem. A grande reportagem exige uma enorme e bem fundamentada pauta. Como é que eu vou fazer o que tenho que fazer e quero fazer? Como é que eu posso fazer? O que é preciso para fazer? Quais os obstáculos? Quem pode me ajudar? Quem pode me atrapalhar? Quais os caminhos, quais as veredas? Por onde começar, por onde passar, o que perguntar e a quem recorrer? Use o seu cérebro que será sempre o seu melhor conselheiro. Você não imagina o número de respostas e soluções que você tem na cabeça. Sendo assim, use a sua cabeça. Planeje. Vai dar certo.

Ordene

Tudo na vida tem começo, meio e fim. Em se tratando de uma reportagem, o começo tem que conter sempre o melhor, justamente para motivar a leitura, despertar a curiosidade e chamar a atenção do leitor. Por mais que inventem, por mais que troquem, a pirâmide invertida continua prevalecendo no jornalismo. Assim, o que é melhor sempre vem à frente. A melhor ideia é que vai começar o texto. A segunda melhor ideia vem na segunda frase, a terceira, na terceira e assim por diante até que o assunto se esvazie. Igualmente a palavra mais forte ou a informação principal deve estar no começo da frase. Coloque ordem na sua vida, ordene o seu texto e você nunca será daqueles repórteres chatos metidos e pretensiosos que, querendo se valorizar, deixam o bom da notícia para o fim. Acabam falando sozinhos. O que chama a atenção do leitor é a informação bem dada, se possível com muita emoção e não aquela chateação da “abertura legal e bacana” que alguns ainda insistem fazer. O leitor quer informação e não enrolação. Informação direta, objetiva e, se possível, com toques de emoção. Tá em ordem?

Emocione

Importante é que a nossa emoção sobreviva, dizia o poeta Vinícius, que era demais e de Morais. Se você quer ser lido e curtido, use a emoção. Emoção é rir, emoção é chorar, emoção é tocar a emoção das pessoas. O ser humano é emocional, use isso. Escreva rindo se você quiser fazer seu leitor sorrir, escreva chorando se você quiser fazer com que ele se toque, se choque e chore também. Sei que a tendência do jornalismo atual é ser formal ao máximo. Vai ver que é por isso que o jornalismo está morrendo um pouco e aos poucos. Ponha um pouco de amor em seu texto, ponha emoção e você vai ver que funciona bem melhor. Pense para fazer, sempre existe uma maneira, um viés de emoção para tapear as tais regras tão formais criadas por chefes e chefetes que só estão mandando e comandando porque nunca souberam escrever…

Treine

O bom time é aquele que treina muito. O melhor pianista treina tocando piano todos os dias, dez horas por dia. O Pavarotti ensaia um ano inteiro para um só concerto. O Zeca Pagodinho bebe e canta cerveja todos os dias. O melhor cozinheiro do mundo queimou mil panelas de arroz até que aprendeu a queimar mais arroz. A boa pauta tem que ser feita e refeita até cansar. A melhor reportagem tem que ser escrita e reescrita até gastar as teclas do computador. Quanto mais você escreve mais vontade tem de escrever e fica gostando cada vez mais de escrever. Seu texto fica melhor, flui mais fácil. Sai como se fosse aquele xixi desesperado. Tudo na vida é um grande treino, inclusive a própria vida. Quem quiser viver de escrever tem que escrever todos os dias, todas as horas do dia. Treinando a gente acostuma até a sofrer e ter saudade.

Mude

Você já reparou como o mundo está cheio de normas e de regras? Pois normas e regras foram criadas por alguns que queriam resolver ou ordenar situações simples ou complexas de todas as ordens. Já reparou como o mundo e até o jornalismo estão cheios de regras aparentemente idiotas e sem sentido? Se eu fosse você, pensaria num jeito de alterar e melhorar essas regras. Faça isso. Pense, medite, batalhe, vá à luta e sempre que você tiver certezas seja ousado e mude tudo.

Prepare-se

Quem pensa, quem lê, quem imagina, quem fica ruminando as coisas do mundo, quem usa o cérebro e vive enchendo o cérebro de informações sempre vai estar melhor preparado para tudo. Já reparou que quando a gente sabe o que vai fazer, quando domina a arte, quando está realmente bem preparado nunca fica nervoso? Só fica nervoso quem não sabe, cara.

Prepare-se

Prepare-se para a aula, prepare-se para o trabalho, para o namoro, prepare-se para a paixão de ver e viver prepare-se para a emoção da vida.

Acredite

Você é a única pessoa que pode melhorar ou piorar a sua vida, onde se conclui que você é a única pessoa que pode lhe ajudar. Acredite em você na certeza de que ninguém é melhor que ninguém até prova em contrário, e não é fácil provar o contrário. Você já chegou aonde chegou e está na frente de muita gente, apesar de já ter muita gente na sua frente. E por que estão na sua frente? Talvez porque você não tenha se preparado ou não tenha aproveitado, como deveria, todas as oportunidades que teve. Se você quer vencer seja determinado, mergulhe na vida com obstinação, coragem e sem perda de tempo porque se você não perceber, o tempo vai passar por você sem que você perceba. Aplique-se nas coisas que você gosta, invista em você, acredite em você, treine à exaustão, descanse lendo. Pense antes de dormir, durma pensando. Sempre tem alguém ganhando. Se você pensar, ler, ouvir, planejar, ousar e se preparar terá muito mais condições de ser o vencedor. Aos que dizem que o mercado está saturado eu respondo que, neste exato momento, aqui, ali, acolá tem uma porção de “head-hunters”, os afamados caçadores de cabeças buscando gente inteligente, gente preparada, gente com garra, determinação e vontade de vencer.

Conclusão

Deu para ver que você é o centro de tudo? Pois é, tudo depende de você. Se você quiser vai ser o cara. Ou a cara. Tem muita gente torcendo por você. Eu, por exemplo.

Por Professor Edgar de Oliveira Barros

Perfil de Edgar de Oliveira Barros

Edgar de Oliveira Barros

O professor Edgard de Oliveira Barros está há 40 anos no jornalismo, tendo iniciado sua carreira na redação dos Diários e Emissoras Associadas, a maior cadeia de jornais, emissoras de rádio e de televisão que o Brasil já teve.

É bacharel em Direito pela Universidade Mackenzie, foi repórter de jornais Associados, tendo trabalhado também nas extintas rádio Difusora e TV Tupi. No meio do caminho teve a Propaganda e Edgard trabalhou na MPM Propaganda, para depois fundar a sua própria empresa de publicidade, através da qual ganhou vários prêmios.

Durante 10 anos foi diretor de redação do extinto Diário Popular. Deixando o Diário Popular começou a dar aulas na FACOM/UniFIAM no ano de 1986.

Criou o jornal Imprensa Livre na cidade de Atibaia, com circulação regional. Semanário, o jornal passou a diário tendo inclusive implantado seu próprio parque gráfico com modernas rotativas. Trabalhava no mínimo 18 horas por dia e todos os dias. Cansou.

E faltou dinheiro. Parou o jornal e voltou a dar aulas, sua paixão, na FIAM. Publicou três livros de crônicas e um livro-manual de Jornalismo dedicado aos alunos da escola: Quem? Quando? Como? Onde? O quê? Por quê?.

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