Ministério Público Federal deve ser parceiro da imprensa?

0
20

Novas políticas de comunicação no Ministério Público Federal e a relação dos jornalistas com o poder Judiciário foram temas abordados na mesa “Liberdade de imprensa, privacidade e sigilo”, do evento “MPF e a mídia em São Paulo”, promovido pela Procuradoria Regional da República da 3ª Região.

Voltado para jornalistas e estudantes, o evento aconteceu na manhã do dia 13 de agosto, e contou com a participação de José Roberto Burnier, da TV Globo; Eugênio Bucci, jornalista e professor da ECA-USP; Frederico Vasconcelos, da Folha de S. Paulo; e Miguel Matos, do site Migalhas. O debate foi mediado por Thiago Lacerda Nobre, procurador da República.

Transtornos para contatar os procuradores foram levantados pelo jornalista da TV Globo. De acordo com ele, alguns casos são censurados. “Temos muitos problemas para chegar até vocês [o MPF]. A justiça decreta sigilo e isso é uma maneira de se esconder da imprensa”, criticou.

Burnier acredita que é preciso abrir mais espaço para diálogo. “Meu interesse é divulgar algo que vocês investigam sem atrapalhar o processo. Nós não somos inimigos e, sim, parceiros”.

A opinião do repórter da Globo é diferente da de Vasconcelos. Para o profissional da Folha, jornalistas não podem ser parceiros do MPF. Para ele, essa relação iria “inibir a independência dos profissionais de imprensa como fiscalizadores”.

Para Bucci, embora o MPF tenha prosseguido com novas políticas de comunicação com a imprensa, a relação ainda é conflituosa. Ele ressaltou que a mídia é campo de interlocução, que publicações mudam com frequência e que profissionais não se isentam de erros. “A imprensa publica a cada dia rascunhos de versões e relatos. Lá dentro existem cidadãos falando com todas as imperfeições”.

Mediador do debate, Lacerda comentou que seu começo no MPF não foi fácil e que teve dificuldades com a imprensa, já que algumas investigações têm problemas com o judiciário. Mesmo assim, o profissional explicou que recebe todos os jornalistas como procuradores e representantes de uma instituição. Sobre casos censurados, o editor do site Migalhas reforça que tudo deve ser explicado com clareza. “Vivemos em um jogo democrático, as leis foram feitas com base em alguns princípios e ideias”.

Além desse debate, o evento recebeu a mesa “Relacionamento da imprensa com o MPF”, com: o repórter Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo; o diretor da Repórter Brasil e professor da PUC-SP, Leonardo Sakamoto; o repórter da TV Bandeirantes, Sandro Barboza; o repórter da rádio Jovem Pan, André Guilherme; e o editor do site Consultor Jurídico, Márcio Chaer.

Por Kelly Mantovani.

Leia também:

– Bala de borracha cega mas não cala

– “O jornal de papel não vai acabar nunca”, afirma Xico Sá

– Alunos de Jornalismo da Unicsul protestam por melhorias

Perfil de Kelly Mantovani

Kelly Mantovani
Pisciana, paulistana da gema e amante de bons livros. Estudante do terceiro semestre de Jornalismo na FIAM (Faculdades Integradas Alcântara Machado), atua como estagiária em Assessoria de Imprensa na Prefeitura de São Paulo e contribui com muito orgulho sugerindo pautas para a Casa dos Focas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui