O Jornalista deve estar no olho do furacão para ver o que está acontecendo, adverte Bruno Paes Manso

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O tenente e coronel Adilson Paes de Souza e os jornalistas Bruno Paes Manso, Lúcia Rodrigues, participaram no último dia 21 de agosto de um debate acerca do tema “Tiro, porrada e bomba – Violência contra o jornalismo e os jornalistas”, mediado pelo jornalista Fausto Salvatori.

Durante o evento se discutiu sobre as perseguições e a violência física que integrantes da imprensa sofrem quando vão realizar coberturas de manifestos ou reportagens que envolvam grandes tumultos e confusões.

Bruno Paes Manso

Logo no início do debate, o jornalista Bruno Paes Manso recordou de quando iniciaram as manifestações no dia 13 de junho do ano passado, também conhecido como as Manifestações dos 20 centavos. “Eu me lembro de quando começaram as manifestações, quando começaram a queimar as catracas da EMTU. (…) Parecia que era algo que não ia virar. Eles sentaram na frente do Masp, às 20h. A polícia paralisou os homens, dando pancadas neles. E eu vendo os policiais se aproximando. Era uma ação voltada para a reintegração de posse. Me deu a impressão de pessoas que jogam vídeo game”, contou.

“A minha sensação – continuou – é de que eles deixaram explícito o desprezo da polícia para esse tipo de ação e conforme as coisas iam se agravando, eles ganhavam apoio e a polícia perdia seu espaço.”

Ao tratar sobre os protestos ocorridos no Parque Dom Pedro, no centro da capital, afirmou que na época, não tinha conhecimento sobre a tática dos “black blocs”. “No primeiro momento achava que eram vândalos, não sabia do impacto disso.”

Depois, ele relatou as cenas de brutalidade que registrou enquanto acompanhava os protestos: “Eles não tiveram constrangimento de dar porrada nos ‘closets’, nas câmeras. Isso gerou toda comoção. A minha sensação é de que a polícia começou a se perder. A minha impressão é que os jornalistas mais visados começaram a ser os câmeras e fotógrafos.”

Segundo Bruno, “como jornalista de texto, não preciso estar debaixo do policial, posso entrevistar depois de 20 minutos” após o ocorrido. Por sua vez, “o jornalista de TV tem que estar perto, pois acaba tomando porrada e fica vulnerável a agressões. Os repórteres de imagens foram os mais visados”.

O jornalista ainda relatou mais um episódio que viveu nessas manifestações: “quando teve o discurso dos jornalistas usarem coletes, eu recusei, pois era importante eu estar como cidadão. Eu fiquei muito exposto, assim como fotógrafo, mas faz parte da nossa profissão. Quando você está exposto, você tem que estar na muvuca, no olho do furacão para ver o que está acontecendo”.

Já o tenente e coronel Adilson Paes aproveitou para contextualizar o Estado da época da Ditadura Militar, que assolou o país com sua repressão e censura nos anos 1960, com a situação atual em que o país se encontra, com as recentes manifestações, além de defender o papel do jornalista na sociedade: como um mediador e informante.

“Se o jornalista tem o poder de ser o fiscal da sociedade, por que alguém do Ministério Público não pode acompanhar o jornalista em um ato como esse? Sem transparência não tem democracia e nós temos que provocar medidas para que haja transparência, controle e fiscalização. Não dá para falar de democracia se o repórter não puder acompanhar uma manifestação se ele apanha e se quebrarem a câmera dele. Isso é uma inquietação minha.”

Por fim, a jornalista Lúcia Rodrigues declarou aos presentes: “nós jornalistas ficamos mais privados porque não ficamos mais na linha de frente, mas ficamos contra a sociedade. Só somos um ‘pessoalzinho’ que está dois ou três pés um pouco mais pra frente”.

Lúcia reforçou que as manifestações se intensificaram no mês de junho do ano passado, mas declarou que elas já vinham um pouco antes, não sendo algo instantâneo ou acontecido agora de pouco. “Ficou mais evidenciado por ter tido essa visualização. Foi instantâneo, midialístico, transmitido ao vivo, as pessoas estavam vendo o que estava acontecendo, então, ganhou repercussão. Mas isso já vinha acontecendo”, acrescentou.

Para a jornalista, “mais do que a violência contra nós mesmos –no caso, os jornalistas– é a violência contra a sociedade”.

Por Leandro Massoni.

Perfil de Leandro Massoni

Leandro Massoni

Leandro Massoni é graduado em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Paulista – Unip, desde 2012. Sua primeira experiência na área foi como estagiário de produção da Revista Eletrônica Domingo Espetacular, da Rede Record. Atualmente, é jornalista e repórter da Gaudium Press, agência de notícias católicas, e estuda locução pela Radioficina.

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