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Jornalistas da Folha assinam carta contra artigo sobre racismo reverso, direção do jornal rebate

A iniciativa dos jornalistas da Folha recebeu o apoio da Federação Nacional dos Jornalistas e do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo.

Foto: Pixabay,

Um total de 186 jornalistas que compõem a redação do Jornal Folha de S.Paulo, escreveram uma carta aberta em tom de protesto nesta quarta-feira (19) contra um artigo que pondera sobre o “racismo reverso” (Racismo de negros contra brancos ganha força com identitarismo), escrito pelo antropólogo baiano Antonio Risério.

Na carta, que pode ser lida na íntegra clicando aqui, os jornalistas declaram descontentamento sobre a defesa do pluralismo e da liberdade de expressão feita pelo jornal. E fazem um paralelo com o fato de que “a Folha não costuma publicar conteúdos que relativizam o Holocausto, nem dá voz a apologistas da ditadura, terraplanistas e representantes do movimento antivacina. Por que, então, a prática seria outra quando o tema é o racismo no Brasil?”.



Direção da Folha rebate em artigo publicado no jornal

Em um artigo intitulado “Folha é acusada de veicular textos racistas em busca de audiência“, o diretor de Redação da Folha de S.Paulo, o jornalista Sérgio Dávila, respondeu a carta-protesto dizendo que “Direção da Folha reconhece o abaixo-assinado como um instrumento legítimo de manifestação, mas afirma que o conteúdo vai contra a pluralidade e a defesa intransigente da liberdade de expressão, pilares do Projeto Folha”.

Dávila assegura que o documento “erra ao sugerir que a Folha publicou artigos que relativizam ou fazem apologia do racismo, o que não aconteceu, até porque racismo é crime”. E também ressalta que a carta “é parcial ao omitir iniciativas que têm sido a prioridade do jornal nos últimos três anos”, tais como : o Programa de Treinamento em Jornalismo Diário, que dá exclusiva oportunidade para profissionais negros; a criação do cargo de editor de Diversidade; o aumento do número de colunistas negros; e a consideração da questão identitária ao formar o novo Conselho Editorial.



A Folha já foi criticada por dar espaço a figuras controversas em troca de cliques

Em outubro de 2021, a coluna “A riqueza das ‘sinhás pretas’ precisa inspirar o movimento negro” do também jornalista Leandro Narloch, gerou incomodo no movimento antirracista. No texto, Narloch relativiza a integridade do movimento estrutural do racismo brasileiro, gerando diversas réplicas de outros colunistas (dessa vez negros e progressistas) dentro do próprio jornal, consequentemente multiplicando a audiência da Folha. Outro artigo mencionado na carta-protesto é do sociólogo Demétrio Magnoli. O texto “Uma ilusão de cor”, que foi publicado em outubro do ano passado, usa argumentos sem fundamentos para justificar o fim da política de cotas raciais.



FENAJ e Sindicato dos Jornalistas apoiam jornalistas da Folha

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) lançaram uma nota conjunta (que pode ser lida clicando aqui) apoiando os jornalistas que assinam a carta protesto, criticando a direção da Folha de S. Paulo e ressaltando que “racismo reverso não existe”. As entidades afirmam ainda que, nos últimos meses, o jornal paulista tem seguido um padrão editorial publicando “artigos de opinião e colunas com uma série de distorções e falácias sobre a questão racial no Brasil”.

“A defesa do jornalismo e de uma imprensa verdadeiramente independente passa necessariamente pelo livre debate, circulação de ideias plurais e o constante diálogo dos profissionais para aprimorar as decisões editoriais de uma publicação — sem transigir na ideia falsa de que o jornalismo precisa abrir espaço a discursos nocivos à democracia e aos direitos humanos”, ressalta a mensagem dos órgãos sindicais.



Por fim, é evocado o artigo 6º, parágrafo 11, do Código de Ética dos Jornalistas, no qual é destacado que um dos deveres dos profissionais de imprensa no Brasil é o de “defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias individuais e coletivas, em especial as das crianças, dos adolescentes, das mulheres, dos idosos, dos negros e das minorias.”

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Guilherme Silva
Ciclista amador, Jornalista em formação pela Universidade Nove de Julho, editor, roteirista e podcaster no "Café e Gritaria".
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