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O jornalista é apenas um contador de histórias?

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O jornalista é, na verdade, um ser sensível, meio louco, meio poeta, angustiado, comprometido com os seus ideais. (Foto: Pixabay)

“Iá-Iá, ô Iá-Iá; minha nêga não sabe o que eu sei. Os lugares por onde eu passei. Quando eu contar, Iá-Iá, você vai se pasmar!”

O repórter é assim, meio Zeca Pagodinho, meio Paulinho da Viola, meio Martinho da Vila, poetas, contadores de histórias. Não mais que isso: meio poeta, contador de histórias. E quando ele contar, Iá-Iá, você e muita gente vão se pasmar!

Ah! as histórias do mundo. Engraçadas, tristes, amargas, doces histórias. Histórias de amor, histórias de humor, histórias da bolsa de Nova York, ou do roubo da bolsa da velha senhora que viajava no Metrô. São tantas as histórias, tão parecidas e ao mesmo tempo tão diferentes, que seriam necessários milhões de jornalistas, milhões de cantores, milhões de poetas para contá-las.

Claramente alguns vão contestar essa definição de que o jornalista é um contador de histórias. Tenho a certeza de que todas as bandeiras, todas as razões que a razão conhece serão levantadas. Para muitos, o jornalista deve ser mais que um contador de histórias. E por que não? Não duvido e nem discuto. Em favor da minha tese explico que boa parte dos textos escritos “no hoje” serão os referenciais para grandes histórias que serão consagradas nos livros de amanhã. Os jornais e revistas se alinham entre as melhores fontes de pesquisa.

Contador de histórias, ou qualquer outra definição que se queira dar, o jornalista é, na verdade, um ser sensível, meio louco, meio poeta, angustiado, comprometido com os seus ideais. Uma pessoa ansiosa que quer ver e ouvir tudo, sentir, conhecer, saber, para poder contar, denunciando quando for o caso, para o maior número possível de pessoas.

No fundo, no fundo, e acima de tudo, o jornalista é o grande curioso que busca histórias do mundo, num mundo onde os curiosos fazem a maioria.

O jornalista tem que ser o mais curioso desses curiosos entre bilhões e bilhões de pessoas que morrem do mal da curiosidade. Isso, para não falar da curiosidade dos cães, dos gatos, dos macacos e de outros bichos.

O mundo, vasto mundo, velho mundo, continua buscando respostas para todos os “por quês?”, os “quem?”, os “como?”, os “quando?”, os “onde?”. O jornalista sai pela estrada da vida perguntando e procurando essas respostas. Porque ele é curioso, porque não sabe tudo, pergunta para quem entende e para quem tem o que dizer ou explicar Capta palavras, gestos, sensações, emoções, explicações. Transforma o que ouviu em histórias e joga no mundo. Doces histórias, amargas histórias, graves histórias que podem alterar situações, despertar paixões, determinar prisões, enriquecer, empobrecer, mudar destinos, derrubar governos.

Como num grande círculo vicioso, o vasto, velho e curioso mundo adora e consome com a sua curiosidade, as histórias que ele mesmo cria e conta para jornalistas que tenham muita inspiração e toda a transpiração para buscá-las e ouvi-las.

Por Edgar de Oliveira Barros

Perfil de Edgar de Oliveira Barros

Edgar de Oliveira Barros

O professor Edgard de Oliveira Barros está há 40 anos no jornalismo, tendo iniciado sua carreira na redação dos Diários e Emissoras Associadas, a maior cadeia de jornais, emissoras de rádio e de televisão que o Brasil já teve.

É bacharel em Direito pela Universidade Mackenzie, foi repórter de jornais Associados, tendo trabalhado também nas extintas rádio Difusora e TV Tupi. No meio do caminho teve a Propaganda e Edgard trabalhou na MPM Propaganda, para depois fundar a sua própria empresa de publicidade, através da qual ganhou vários prêmios.

Durante 10 anos foi diretor de redação do extinto Diário Popular. Deixando o Diário Popular começou a dar aulas na FACOM/UniFIAM no ano de 1986.

Criou o jornal Imprensa Livre na cidade de Atibaia, com circulação regional. Semanário, o jornal passou a diário tendo inclusive implantado seu próprio parque gráfico com modernas rotativas. Trabalhava no mínimo 18 horas por dia e todos os dias. Cansou.

E faltou dinheiro. Parou o jornal e voltou a dar aulas, sua paixão, na FIAM. Publicou três livros de crônicas e um livro-manual de Jornalismo dedicado aos alunos da escola: Quem? Quando? Como? Onde? O quê? Por quê?.

Acompanhe os textos do Professor Edgar publicados na página Mixtura Fina.

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